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Potência do BRICS, Índia aposta US$ 170 bilhões para limpar sua matriz energética

Por Redação TV SDB
30/05/2026 - Atualizado às 12:47


Imagem: Foto: Kenueone/Pixabay

De acordo com o recém-lançado relatório World Energy Investment 2026, da Agência Internacional de Energia (AIE), a Índia planeja injetar US$ 170 bilhões em projetos de transição e modernização energética. O objetivo da quarta maior economia do mundo é reduzir a forte dependência do carvão e acelerar a migração para fontes renováveis, especialmente a energia solar — que já viu seus investimentos saltarem 25% nos últimos cinco anos.

O cenário atual e as metas para o futuro

Apesar dos avanços verdes, a matriz energética indiana ainda é fortemente dependente de combustíveis fósseis:

  • Carvão: Responde por 55% de toda a energia do país e por mais de 74% da geração de eletricidade. O uso de carvão doméstico de baixa qualidade pela indústria siderúrgica indiana faz com que o setor consuma quase o dobro de energia por tonelada de aço em comparação a países desenvolvidos.

  • Petróleo: Terceira maior compradora global, a Índia importa 90% do petróleo bruto que consome. Para reduzir a vulnerabilidade às crises no Golfo Pérsico, o país quer expandir seu parque de refino local em 15% até 2030 (hoje, refina 5,4 milhões de barris diários).

  • Metas Verdes: Nos próximos cinco anos, Nova Déli pretende alcançar 500 GW de capacidade em fontes renováveis, um passo crucial para cumprir sua promessa de neutralidade de carbono até 2070.

O grande desafio: energia limpa desperdiçada

Gerar energia verde, no entanto, é apenas parte da solução. O grande gargalo indiano está na infraestrutura de transmissão.

Segundo o think tank climático Ember, a Índia desperdiçou cerca de 300 GWh de energia limpa apenas no primeiro trimestre deste ano devido a limitações operacionais da rede. O problema afeta principalmente o Norte e o Oeste do país, regiões onde os parques solares crescem mais rápido do que a capacidade das linhas de distribuição.

Apenas em março, 34 GWh de energia solar deixaram de ser transmitidos — volume que seria suficiente para abastecer 5 milhões de lares de classe média.

O gargalo logístico se choca com a crescente necessidade por eletricidade: em maio de 2026, impulsionada por uma forte onda de calor ligada ao El Niño, a demanda nacional bateu o recorde de 270,8 GW.

Soluções no horizonte

Esse descompasso entre geração e transmissão é um desafio típico de países emergentes. Para evitar que a energia produzida seja perdida, o governo aposta em duas frentes:

  1. Armazenamento: Uso de sistemas de baterias em larga escala para guardar o excesso de energia gerada e descongestionar a rede.

  2. Infraestrutura: O novo plano elétrico nacional prevê um investimento adicional superior a US$ 100 bilhões focado exclusivamente na modernização das redes de transmissão e distribuição até 2032.



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