De acordo com o recém-lançado relatório World Energy Investment 2026, da Agência Internacional de Energia (AIE), a Índia planeja injetar US$ 170 bilhões em projetos de transição e modernização energética. O objetivo da quarta maior economia do mundo é reduzir a forte dependência do carvão e acelerar a migração para fontes renováveis, especialmente a energia solar — que já viu seus investimentos saltarem 25% nos últimos cinco anos.
Apesar dos avanços verdes, a matriz energética indiana ainda é fortemente dependente de combustíveis fósseis:
Carvão: Responde por 55% de toda a energia do país e por mais de 74% da geração de eletricidade. O uso de carvão doméstico de baixa qualidade pela indústria siderúrgica indiana faz com que o setor consuma quase o dobro de energia por tonelada de aço em comparação a países desenvolvidos.
Petróleo: Terceira maior compradora global, a Índia importa 90% do petróleo bruto que consome. Para reduzir a vulnerabilidade às crises no Golfo Pérsico, o país quer expandir seu parque de refino local em 15% até 2030 (hoje, refina 5,4 milhões de barris diários).
Metas Verdes: Nos próximos cinco anos, Nova Déli pretende alcançar 500 GW de capacidade em fontes renováveis, um passo crucial para cumprir sua promessa de neutralidade de carbono até 2070.
Gerar energia verde, no entanto, é apenas parte da solução. O grande gargalo indiano está na infraestrutura de transmissão.
Segundo o think tank climático Ember, a Índia desperdiçou cerca de 300 GWh de energia limpa apenas no primeiro trimestre deste ano devido a limitações operacionais da rede. O problema afeta principalmente o Norte e o Oeste do país, regiões onde os parques solares crescem mais rápido do que a capacidade das linhas de distribuição.
Apenas em março, 34 GWh de energia solar deixaram de ser transmitidos — volume que seria suficiente para abastecer 5 milhões de lares de classe média.
O gargalo logístico se choca com a crescente necessidade por eletricidade: em maio de 2026, impulsionada por uma forte onda de calor ligada ao El Niño, a demanda nacional bateu o recorde de 270,8 GW.
Esse descompasso entre geração e transmissão é um desafio típico de países emergentes. Para evitar que a energia produzida seja perdida, o governo aposta em duas frentes:
Armazenamento: Uso de sistemas de baterias em larga escala para guardar o excesso de energia gerada e descongestionar a rede.
Infraestrutura: O novo plano elétrico nacional prevê um investimento adicional superior a US$ 100 bilhões focado exclusivamente na modernização das redes de transmissão e distribuição até 2032.
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