Dados do satélite Sentinel-6 mostram águas excepcionalmente quentes no Pacífico. Fenômeno pode elevar as temperaturas globais e dividir o clima no Brasil, provocando chuvas extremas no Sul e estiagem severa no Norte e Nordeste.
O Oceano Pacífico dá sinais de que voltará a ditar as regras do clima global nos próximos meses. Com base em imagens de satélite, a NASA e agências europeias emitiram um alerta para a possível formação de um "super El Niño" ainda em 2026.
As imagens captadas pela missão espacial Sentinel-6 Michael Freilich revelam ondas de águas excepcionalmente quentes — conhecidas pelos cientistas como ondas Kelvin — se movendo pelo Pacífico equatorial de oeste para leste. O deslocamento dessas massas de energia térmica é um indicativo clássico que antecede a formação de eventos intensos do fenômeno.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA), a probabilidade de o El Niño se consolidar e persistir durante o verão do Hemisfério Sul (entre o fim de 2026 e o início de 2027) é alta.
Por que "Super" El Niño?
O El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico central e leste se aquecem além do normal, enfraquecendo os ventos alísios e alterando a formação de nuvens e o regime de chuvas em todo o planeta.
A expressão "super" entra em cena quando esse aquecimento atinge níveis extremos e provoca estragos globais significativos. Os maiores exemplos recentes ocorreram nos biênios de 1997-1998 e 2015-2016, episódios que deixaram prejuízos bilionários e milhares de mortes devido a enchentes, ciclones e secas extremas.
A grande preocupação para 2026 é que a anomalia do Pacífico atuará sobre uma base térmica muito mais elevada. O planeta já está mais quente devido às mudanças climáticas, o que significa que o fenômeno natural entra em cena em um mundo que já está, literalmente, febril. Na economia global, os efeitos costumam ocorrer em cascata: quebras de safra, encarecimento de alimentos, pressão sobre a geração de energia e danos à infraestrutura logística.
Efeitos esperados no Brasil
No território brasileiro, o El Niño atua como uma grande engrenagem que divide o clima do país em dois extremos. Segundo institutos meteorológicos, os impactos não são homogêneos e cada região deve se preparar para um cenário distinto:
Sul em alerta para chuvas: Historicamente, o fenômeno traz frentes frias mais persistentes e volumes excessivos de água para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Há alto risco de alagamentos, enchentes, deslizamentos de terra e prejuízos por atrasos nas colheitas.
Norte e Nordeste sob seca: O efeito é exatamente o inverso. A tendência é de redução severa nas chuvas, afetando o nível dos reservatórios e a agricultura familiar. Na Amazônia, o período mais seco pressiona a navegação fluvial, isola comunidades e aumenta drasticamente o risco de grandes incêndios florestais.
Centro-Oeste e Sudeste: Os impactos nestas regiões costumam ser mais variáveis, dependendo de fatores como bloqueios atmosféricos. No entanto, o radar dos produtores rurais e da defesa civil já aponta para ondas de calor intensas e chuvas irregulares que podem desestabilizar o calendário agrícola.
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