Gabriel Galípolo lembrou que o trecho questionado sobre impacto no resultado primário foi elaborado pela própria equipe econômica e consolidado pela AGU. Ele também defendeu que o BC absorva integralmente as variações contábeis.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, declarou nesta segunda-feira (25) que recebe com "estranhamento" as críticas fiscais feitas por membros da equipe econômica do governo em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65, que trata da autonomia financeira e orçamentária da autoridade monetária.
O motivo da surpresa, segundo Galípolo, é que o trecho do texto que vem sendo alvo de ressalvas nos bastidores foi redigido justamente pelos próprios membros da equipe econômica.
“Tenho lido em alguns lugares que alguns membros da equipe econômica estariam preocupados com a questão do impacto no resultado primário e na relação do Tesouro com o Banco Central. Lógico, eu imagino que alguém tenha ouvido, não estou duvidando de quem escreveu isso. Mas a gente recebe com algum estranhamento porque, efetivamente, o texto e a forma que está colocado lá veio justamente da equipe econômica e consolidado pela AGU [Advocacia-Geral da União]”, afirmou o presidente do BC.
Absorção de resultados e variação cambial
Durante a sua fala, Galípolo aproveitou para destacar que, caso houvesse uma proposta para uma "superação total" — modelo em que o Banco Central tivesse que absorver integralmente o resultado das variações contábeis —, a alternativa teria o seu total apoio de forma imediata.
“A gente assina agora, saímos com o acordo aqui, dado que o Banco Central absorve integralmente o resultado”, garantiu.
Ele explicou que a dinâmica de funcionamento do BC brasileiro viabiliza esse cenário sem grandes prejuízos operacionais. “O Banco Central do Brasil não tem um grande impacto, vamos dizer, de custo da operacionalização da política monetária, porque estou usando títulos públicos. A maior parte do resultado do Banco Central vem de variação cambial”, detalhou Galípolo.
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