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Governo projeta superávit no arcabouço fiscal, mas déficit total em 2026 atinge R$ 60,3 bi

Por Redação TV SDB
25/05/2026 - Atualizado às 11:19


Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Estimativa que orienta o Orçamento foi enviada ao Congresso. Dentro das regras do arcabouço fiscal — que exclui o pagamento de precatórios —, a equipe econômica prevê um superávit de R$ 4,1 bilhões.

O crescimento das despesas obrigatórias fez a estimativa total de déficit primário do governo para 2026 subir de R$ 59,8 bilhões para R$ 60,3 bilhões. A nova previsão consta no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que orienta a execução do Orçamento e que foi enviado ao Congresso Nacional nesta sexta-feira (22).

O déficit primário representa o resultado negativo das contas do governo, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Essa estimativa de R$ 60,3 bilhões inclui o pagamento de precatórios — que estão fora da meta fiscal até 2026 após um acordo firmado com o Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado —, além de gastos específicos com defesa, saúde e educação excluídos por lei da meta principal.

Esse déficit primário total impacta diretamente o nível de endividamento do governo brasileiro.

O cenário dentro do arcabouço fiscal

Apesar do rombo total, quando se excluem os precatórios e as exceções previstas em lei, o cenário muda. Avaliando estritamente as regras do arcabouço fiscal, o governo prevê um superávit primário de R$ 4,1 bilhões (economia de gastos para o pagamento de juros da dívida).

Graças a essa previsão de superávit dentro da meta, o governo não precisou contingenciar verbas no Orçamento de 2026. No entanto, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento efetuaram um bloqueio de R$ 22,1 bilhões. A equipe econômica ressalta que esse bloqueio é necessário para cumprir os limites de gastos impostos pelo arcabouço fiscal, não tendo relação direta com a meta de resultado primário.

Balanço das Despesas

O relatório estima um aumento de R$ 4,6 bilhões nas despesas totais, resultado da seguinte equação:

  • + R$ 30,1 bilhões em gastos obrigatórios;

  • – R$ 25,2 bilhões em gastos discricionários (não obrigatórios), montante que já inclui os R$ 22,1 bilhões bloqueados.

Os principais fatores que pressionaram o aumento das despesas obrigatórias foram:

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC): + R$ 14,1 bilhões

  • Benefícios previdenciários: + R$ 11,5 bilhões

  • Créditos extraordinários: + R$ 3,5 bilhões

  • Despesas com controle de fluxo (inclui Bolsa Família): + R$ 3,4 bilhões

  • Demais despesas: + R$ 300 milhões

Balanço das Receitas

O relatório bimestral projeta uma alta de R$ 4,4 bilhões nas receitas líquidas em relação ao valor aprovado inicialmente no Orçamento de 2026. Esse valor já desconta o repasse de transferências para estados e municípios, que terão um aumento de R$ 16,1 bilhões.

Do lado das receitas administradas pela Receita Federal (tributos), as principais altas foram:

  • Imposto de Renda: + R$ 10,3 bilhões (fortemente influenciado pelo lucro das petroleiras);

  • Cofins: + R$ 4,5 bilhões;

  • CSLL: + R$ 3,9 bilhões;

  • IOF: + R$ 1,1 bilhão.

Já em relação às receitas não administradas, o relatório reduziu a estimativa geral em R$ 2,1 bilhões. As principais variações incluem:

  • Royalties (exploração de recursos naturais): – R$ 4,6 bilhões. Nota: a equipe econômica informou que esses números ainda não incluem o possível aumento de arrecadação gerado pela escalada do preço do barril em decorrência do prolongamento da guerra no Oriente Médio, o que deve ser revisto para cima futuramente.

  • Dividendos de estatais: + R$ 800 milhões;

  • Outras receitas: + R$ 1,7 bilhão.



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