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Margareth Menezes discute justiça climática e saberes tradicionais na Teia Nacional dos Pontos de Cultura

Por Redação TV SDB
25/05/2026 - Atualizado às 11:09


Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em evento no Espírito Santo, a ministra ressaltou a importância da sabedoria ancestral para combater a crise climática e celebrou a marca de 16 mil Pontos de Cultura ativos no país.

“Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”. A declaração da ministra da Cultura, Margareth Menezes, faz referência aos saberes tradicionais e populares que atravessaram gerações e permitiram um modo de vida aliado à preservação da biodiversidade.

A ministra participou, em Aracruz (ES), de diversas atividades da 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Neste ano, o evento teve como tema central a justiça climática e contou com uma extensa programação. Representantes dos povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas puderam debater, junto a autoridades do governo, caminhos para a mitigação dos efeitos da crise ambiental a partir da cultura.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Margareth Menezes ressaltou que o investimento no setor tem potencial transformador, inclusive no aspecto financeiro e de geração de renda.

Confira os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil — O tema da Teia deste ano é Pontos de Cultura pela Justiça Climática. Como a cultura pode incidir nessa pauta? Margareth Menezes — Podemos trazer as linguagens das artes e da cultura para auxiliar numa mudança de comportamento do ser humano em relação à natureza. Está mais do que na hora de começarmos a botar luz nesses exemplos de como preservar. Os povos originários, os povos de terreiro e outras linguagens culturais trabalham isso, dando à natureza a importância que ela precisa ter para nós. A cultura é uma grande ferramenta para isso; existem exemplos dentro das práticas culturais, especialmente desses povos, de como conviver com a natureza na maneira de vestir, de comer e de se relacionar.

Agência Brasil — Qual é a importância de valorizar as culturas dos povos originários, que estão bastante presentes nesta edição da Teia? Margareth Menezes — Esses grupos trazem a identidade da cultura brasileira, que tem na sua base tanto as culturas dos povos originários — que ainda estão resistindo bravamente e dando a sua colaboração para nossa sociedade — quanto as dos povos de matriz africana. São povos que guardam memória, passando seus conhecimentos de geração em geração. A grande colaboração que os povos originários têm na nossa formação social, todo esse legado que a gente chama de cultura, tem muito a ver com o que eles trazem para nós.

Agência Brasil — Durante a Teia, ocorreu o primeiro encontro para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas e foram assinados atos normativos direcionados a atores da cultura tradicional e popular. Como essas ações beneficiam esses grupos? Margareth Menezes — O decreto da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares foi assinado justamente para estabilizar e ampliar as políticas. Vai garantir mais proteção, mais qualidade e um empenho maior de investimentos nessa base de produção. Quando falamos de mestres e mestras, estamos tratando de memória, mas também de excelência, porque eles detêm conhecimentos que, se não cuidarmos, corremos o risco de perder. Sobre o Plano Nacional das Culturas Indígenas, ele está sendo construído com muito diálogo e escuta. A cultura indígena são "culturas", há 300 línguas ainda preservadas. Nós abrimos essa porta com a criação de um grupo de trabalho junto ao Ministério dos Povos Indígenas, o que passa imperativamente pela participação dos povos originários.

Agência Brasil — Faz 12 anos desde a última edição da Teia. Qual é o impacto da realização deste evento para a população? Margareth Menezes — A importância da Teia é recuperar e fortalecer essa grande conexão que existe dos pontos e pontões de cultura, que são ativos da sociedade civil. Quando chegamos ao Ministério, estávamos com 4 mil cadastros; hoje somos 16 mil Pontos de Cultura. Isso significa a cultura viva mesmo. Promover o fortalecimento dessa rede, que já tem 22 anos, é essencial. É uma política tão assertiva que já repercute em 14 países. No mês passado, estive na China e inaugurou-se o primeiro Ponto de Cultura brasileiro da Ásia, em Xangai.

Agência Brasil — Sobre os planos de reconstrução do MinC, o que já foi alcançado e o que ainda deve ser feito? Margareth Menezes — De quando chegamos ao que estamos entregando agora, já houve um avanço muito grande. Fizemos com que as políticas tivessem popularidade: pelo menos 96% das cidades brasileiras estão conectadas à Lei Paulo Gustavo ou à Lei Aldir Blanc. Também houve a nacionalização do mecanismo de fomento da Lei Rouanet, que hoje está em todos os estados brasileiros. Isso não é algo que está no campo do "querer", é fato. Quando você investe em cultura, está investindo no ser humano. É um investimento que tem uma potência de mudança, de qualificar e emancipar, com mais geração de emprego e renda. Por isso, também estamos trazendo a política da economia criativa para trabalhar esse aspecto financeiro que está dentro da cultura.

Fonte: Agência Brasil



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