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Sindicato denuncia tratamento especial e regalias a Deolane Bezerra em presídio de SP

Por Redação TV SDB
24/05/2026 - Atualizado às 11:03


Imagem: Foto: AgNews

Sindicato aponta que influenciadora teve acesso a sala isolada, chuveiro elétrico e alimentação diferenciada na Penitenciária de Santana. Secretaria afirma que seguiu determinação judicial por ela ser advogada.

O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) protocolou uma denúncia formal na Direção-Geral da Polícia Penal apontando que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra recebeu tratamento privilegiado na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista. Ela foi detida sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A entidade sindical solicitou a instauração de um processo administrativo disciplinar para apurar o caso e punir os responsáveis por autorizar as regalias.

A lista de privilégios

Segundo a denúncia do Sinppenal, ao chegar à unidade prisional, Deolane recebeu um tratamento que foge totalmente ao protocolo padrão. Entre as irregularidades apontadas pelo sindicato estão:

  • Recepção VIP: A influenciadora foi recebida pessoalmente pelo diretor da unidade prisional;

  • Sala esvaziada: Uma sala de espera — normalmente utilizada por detentas que aguardam atendimento médico — foi esvaziada exclusivamente para acomodá-la;

  • Alimentação diferenciada: Deolane consumiu as refeições preparadas para os próprios carcereiros, e não as marmitas distribuídas à população carcerária;

  • Conforto: Teve acesso a banho quente em chuveiro elétrico privativo e dormiu em uma cama diferente das estruturas de concreto presentes nas celas comuns;

  • Isolamento: O acesso de agentes penais à sala onde ela estava foi restringido, o que, segundo o sindicato, "comprometeu a fiscalização e a segurança institucional".

O departamento jurídico do Sinppenal sustenta que as condutas violam os artigos 3º e 4º da Lei de Execução Penal, que garantem igualdade de tratamento e proíbem qualquer discriminação baseada em condição social, econômica ou notoriedade pública. A ação também feriria a Lei Orgânica da Polícia Penal de São Paulo.

Contraste com a realidade carcerária

A denúncia das regalias ganha ainda mais peso quando confrontada com os dados do sistema prisional. A Penitenciária de Santana opera acima da capacidade, abrigando 2.822 presas em um espaço projetado para 2.686.

Na quinta-feira (22), Deolane foi transferida para a penitenciária de Tupi Paulista, no interior do estado. A nova unidade também enfrenta superlotação, com 872 presas dividindo um limite de 714 vagas.

O sindicato aproveitou o caso para expor as condições precárias de trabalho e do cumprimento de penas. "Além da superlotação, a defasagem de policiais penais deixa a situação ainda mais complicada. Segundo o relato de servidores, o acesso a medicamentos é limitado e atendimentos de maior complexidade frequentemente demoram por causa da longa espera pela escolta, que por vezes nem chega", criticou a entidade.

O que diz a Secretaria?

Procurada para comentar o caso, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) negou irregularidades sistêmicas e justificou o tratamento pelas credenciais da presa.

Segundo a pasta, Deolane "foi alocada de acordo com a determinação judicial, que reconheceu a existência de registro ativo da reeducanda como advogada". A Secretaria acrescentou ainda que "sua atuação institucional limitou-se ao estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário".



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