Levantamento mostra otimismo generalizado com a principal aposta de crédito do governo. A partir da próxima semana, trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS para abater dívidas.
O programa Desenrola 2, principal aposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva na agenda de crédito e consumo para este ano, alcançou níveis de aprovação superiores aos da própria gestão federal. É o que aponta a pesquisa Datafolha realizada nos dias 12 e 13 de maio e divulgada nesta quinta-feira (21).
O levantamento revela um forte otimismo da população em relação aos efeitos da medida: 82% dos entrevistados avaliam que o programa terá um impacto positivo sobre a economia nacional. Entre os grupos mais otimistas com a iniciativa, destacam-se os jovens e os moradores da região Nordeste.
Segundo o Datafolha, o programa já é de conhecimento de 62% da população. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os dados mostram que a percepção favorável ao programa descola dos índices de popularidade do próprio governo, atingindo de forma ampla tanto quem tem contas atrasadas quanto quem está com o nome limpo:
Entre os endividados: 68% acreditam que serão beneficiados diretamente pela iniciativa. Neste mesmo grupo, a gestão Lula é classificada como ótima ou boa por 31%, e 46% aprovam o trabalho do presidente.
Entre os não endividados: 73% enxergam um impacto econômico positivo e 39% esperam obter algum tipo de benefício pessoal. A avaliação positiva do governo neste recorte é de 30%, com 45% de aprovação presidencial.
O programa é considerado uma das vitrines para a campanha de reeleição de Lula. O levantamento captou esse componente político na adesão à medida: entre os eleitores que declaram voto no atual presidente, 64% acreditam que serão beneficiados. Já entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), a expectativa positiva recua, mas ainda atinge 44%.
Lançado oficialmente em 4 de maio, com duração prevista de 90 dias, o Desenrola 2 já renegociou R$ 12 bilhões em dívidas, segundo o governo federal.
O programa atende famílias com renda de até cinco salários mínimos (atualmente R$ 8.105 mensais) e prevê:
Descontos de até 90% sobre o valor original das dívidas;
Juros limitados a 1,99% ao mês para os parcelamentos.
Novidade a partir de terça-feira: Uma nova modalidade de pagamento entra em vigor a partir da próxima terça-feira, 26 de maio. O programa autorizará o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o abatimento de dívidas bancárias renegociadas. Os trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível em suas contas do fundo ou até R$ 1.000 — prevalecendo sempre a regra que liberar o maior valor para o cidadão.
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