tvserradosbrindesoficial@gmail.com

André Lara Resende acusa Banco Central de gerar desequilíbrio fiscal por meio da taxa de juros

Por Redação TV SDB
03/11/2026 - Atualizado às 13:40


Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Um artigo publicado pelo economista André Lara Resende — integrante da equipe formuladora do Plano Real, ex-diretor do Banco Central (BC) e ex-presidente do BNDES — gerou amplo debate no cenário econômico ao atribuir à autoridade monetária a responsabilidade pelo crescimento da dívida pública e pelo rombo nas contas do país. O especialista contesta a narrativa dominante no mercado financeiro e defende uma reforma estrutural no regime fiscal e monetário brasileiro.

Lara Resende critica a manutenção da taxa Selic em patamares elevados (13,75% ao ano), posicionando o Brasil no topo do ranking global de juros reais, segundo levantamento da consultoria Moneyou.

“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater. [...] Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.”

Dívida pública, despesas primárias e impacto no orçamento

Apesar de reconhecer a ineficiência de certos gastos públicos — citando distorções em emendas parlamentares, penduricalhos salariais no Judiciário e desonerações tributárias —, o economista argumenta que o déficit primário (diferença entre receitas e despesas operacionais, excluindo os juros) é pequeno e próximo do equilíbrio.

  • Trajetória da dívida: A dívida bruta do governo geral saltou de 71,7% do PIB em 2022 para aproximadamente 82,9% do PIB em agosto de 2026.

  • Peso dos juros: Nos últimos 12 meses, o pagamento de juros sobre a dívida consumiu mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público, representando cerca de 8,9% do PIB e empurrando o déficit nominal para próximo de 10% do PIB.

Para Lara Resende, a exigência do mercado financeiro por cortes em políticas sociais e despesas primárias não resolverá a trajetória da dívida sem uma revisão da política monetária.

O posicionamento do Banco Central

Em contrapartida, o Banco Central e o Comitê de Política Monetária (Copom) sustentam que a manutenção de juros elevados é indispensável para conter as pressões inflacionárias, desestimular o consumo excessivo e compensar os riscos derivados do déficit fiscal primário.

Na visão da autoridade monetária, expressa em suas atas oficiais, a desaceleração de reformas estruturais, o expansionismo de crédito direcionado e as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida limitam o espaço para o alívio na taxa Selic.

No entanto, Lara Resende contesta esses fundamentos conceituais:

  • Curva de Phillips anacrônica: Argumenta que a relação clássica de que o aumento do desemprego é pré-requisito para conter a inflação perdeu sustentação empírica e conceitual.

  • Impacto inflacionário temporário: Sustenta que eventuais pressões sobre os preços decorrentes do corte de juros possuem caráter de curto prazo e efeito transitório.

Proposta de um novo regime fiscal e monetário

Para interromper a escalada da dívida, o economista defende que a taxa básica de juros seja convergida para um patamar próximo ao crescimento nominal da economia. Sua proposta prevê a criação de um modelo integrado para a política econômica:

  • Planejamento de longo prazo: Fixação de metas fiscais e monetárias conjuntas para períodos de quatro a cinco anos.

  • Banda de juros associada à inflação: O BC se comprometeria a manter a taxa básica fixada dentro de um intervalo delimitado pela meta de inflação (3%) e pela taxa de crescimento nominal potencial do país.

  • Atuação cambial firme: Utilização das reservas internacionais do Brasil — superiores a US$ 350 bilhões — para intervir no mercado de câmbio e conter desvalorizações acentuadas do real sem a necessidade de elevar juros.



Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.


Logo player Rádio ao vivo