Milhares de manifestantes saíram às ruas em diversas cidades da Alemanha no último sábado (30) para exigir melhorias no sistema educacional e medidas de contenção do custo de vida. A mobilização integra uma onda de atos liderados pela juventude que vem percorrendo a Europa ao longo do ano, com impactos variados — desde a derrocada eleitoral do governo de turno na Sérvia até distúrbios de grande proporção registrados na França.
Na Alemanha, os protestos foram convocados pelo coletivo Gen Z regelt (“Geração Z assume o comando”) com previsão de atos em 34 municípios, incluindo polos como Berlim, Frankfurt e Munique. Além da pauta socioeconômica e educacional, o grupo posicionou-se contra a restauração do serviço militar obrigatório.
A despeito da ampla divulgação, os dados oficiais de adesão registrados pelas forças de segurança ficaram aquém das projeções iniciais:
Expectativa dos organizadores: Estimativa de até 182 mil participantes no país (com previsão de 36 mil reunidos entre Berlim, Frankfurt e Munique).
Balanço policial: Cerca de 6 mil manifestantes contabilizados nos três principais centros urbanos.
Embora o clima geral tenha sido mantido sob controle em meio às celebrações de Halloween, o Ministério Federal do Interior da Alemanha alertou para a infiltração de grupos extremistas locais e internacionais com o intuito de cooptar o movimento.
Comerciantes de vias prestigiadas, como a avenida Kurfürstendamm, em Berlim, protegeram fachadas com tapumes e anteciparam o encerramento do expediente por precaução. O ministro do Interior do estado de Hesse, Roman Poseck, ressaltou o empenho das autoridades em evitar o cenário violento presenciado no país vizinho:
“Todos nós temos aquelas imagens da França em nossas mentes — saques, casas em chamas, veículos da polícia incendiados e ataques a policiais. A França não deve ser apresentada como modelo nesse sentido”, declarou Poseck.
O clima de agitação social estendeu-se a outros países do bloco europeu:
França: Em preparação para o terceiro sábado consecutivo de mobilizações, o Conselho de Estado acatou recurso do governo federal e proibiu o trajeto planejado por sindicatos no centro de Paris, citando riscos elevados à ordem pública e histórico de tumultos.
Itália: Uma greve geral levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas de cerca de 50 cidades, reunindo estudantes, sindicatos, bombeiros e agricultores em defesa de reajustes salariais, fortalecimento dos serviços públicos e pela renúncia do governo. Em Turim, a polícia de choque conteve manifestantes com jatos d'água em frente à prefeitura; em Roma, atos de vandalismo culminaram em oito prisões e centenas de identificações; já em Gênova, cerca de 15 mil pessoas ocuparam a zona portuária contra o transporte de suprimentos bélicos.
Espanha: Autoridades policiais detiveram mais de uma dezena de integrantes da organização Blocus — incluindo seu suposto líder, de 20 anos —, sob a acusação de articular atos extremistas de vandalismo.
Rádio ao vivo