País africano já registra 82 casos e sete mortes pela variante Bundibugyo. Resposta à epidemia esbarra na ausência de tratamentos, baixa capacidade de testagem e na redução de recursos globais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para o nível máximo de alerta o risco do surto de ebola na República do Congo. O país africano já contabiliza 82 casos e sete mortes confirmadas causadas pela cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus.
A situação é agravada pelo fato de que, atualmente, não há vacinas ou tratamentos autorizados para combater especificamente essa cepa. Sem imunizantes disponíveis, as autoridades concentram seus esforços em medidas rigorosas de contenção e na tentativa de isolar e detectar rapidamente novos casos para frear a disseminação da doença.
Gargalo nos testes e atraso na detecção
A resposta rápida, no entanto, esbarra em problemas estruturais. A representante da OMS no Congo, Anne Ancia, revelou que a região afetada tem capacidade para realizar apenas seis testes por hora.
Além da baixa capacidade laboratorial, o diagnóstico inicial demorou a acontecer. "Levou semanas para detectar o surto porque os testes usados na região eram voltados à cepa Zaire, que é a mais comum", explicou Ancia.
Para tentar mitigar a crise, a OMS informou que já enviou 12 toneladas de materiais médicos ao país, e outras seis toneladas acabam de chegar. Os suprimentos enviados incluem:
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de saúde;
Materiais para coleta de amostras;
Insumos laboratoriais;
Itens utilizados no rastreamento de contatos (para monitorar pessoas expostas aos infectados).
Crise financeira e impacto político
Além das dificuldades logísticas no campo, a OMS ligou o sinal de alerta para a falta de recursos financeiros para combater o surto. Anne Ancia destacou que a redução global de verbas destinadas à saúde teve um impacto direto e negativo nas operações da organização no continente africano.
A representante citou como agravante a saída oficial dos Estados Unidos da OMS — formalizada em janeiro deste ano — e os recentes cortes em financiamentos internacionais promovidos pelo governo do presidente americano Donald Trump, o que limitou a capacidade de resposta da entidade diante da emergência no Congo.
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