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CNDH solicita paralisação do Smart Sampa após falha expor mais de 58 mil câmeras em SP

Por Redação TV SDB
29/10/2026 - Atualizado às 00:44


Imagem: Rovena Rosa/Agencia Brasil

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) requereu a suspensão imediata do Smart Sampa — sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo —, em virtude de brechas de segurança que permitiram o acesso indevido de pessoas não autorizadas à plataforma.

O incidente de segurança foi divulgado pelo portal UOL no dia 20 de outubro. A reportagem revelou que 181 pares de logins e senhas, dados pessoais de cerca de 6 mil agentes de segurança e instruções para clonar a interface do sistema permaneceram acessíveis em um repositório público por aproximadamente 11 meses.

Alcance das imagens e dados expostos

A vulnerabilidade viabilizou a visualização em tempo real de transmissões vindas de mais de 58 mil câmeras. A exposição alcançou equipamentos instalados em áreas sensíveis da capital paulista, incluindo:

  • Creches, escolas e hospitais;

  • Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Além das imagens, o acesso indevido permitia realizar consultas a nomes, CPFs e placas de veículos cadastrados, bem como a inserção de novas informações na base de dados.

Risco coletivo e descumprimento de diretrizes

O CNDH apontou que a ausência de requisitos básicos de proteção — como senhas fortes e mecanismos de autenticação em dois fatores (2FA) — colocou em risco a integridade física de profissionais e cidadãos. O órgão destacou que o monitoramento indevido ao longo de quase um ano expôs a rotina de deslocamento e trabalho de policiais, guardas civis, agentes penais, militares das Forças Armadas, além de advogados e jornalistas, violando o sigilo profissional e das fontes. Pela amplitude dos atingidos, a entidade classificou o prejuízo como um dano de natureza transindividual.

Ademais, o conselho enfatizou que o programa feriu regras da Resolução CNDH nº 17/2025 sobre reconhecimento facial e tecnologias de vigilância em locais públicos:

  • Falta de controle e auditoria: O uso de credenciais previsíveis e compartilhadas feriu a obrigação de manter registros individualizados de auditoria.

  • Falha de supervisão: A descoberta do vazamento por um veículo de imprensa, e não pelos mecanismos internos de auditoria do próprio município, evidenciou a ineficácia dos controles da plataforma.

Ações e desdobramentos jurídicos

O CNDH confirmou que encaminhará representações ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a abertura de inquérito civil e o ajuizamento de ação civil pública contra a administração municipal de São Paulo. Também foi enviada uma notificação direta ao MPSP recomendando a paralisação preventiva das atividades do Smart Sampa, o congelamento dos registros de acesso e a reparação por danos morais coletivos aos direitos difusos da sociedade.

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a Prefeitura de São Paulo não havia se pronunciado oficialmente até a publicação do texto.



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