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Flávio aposta no apoio de Trump, mas pode encarar isolamento e pecha de "fujão", analisa especialista

Por Redação TV SDB
29/10/2026 - Atualizado às 00:41


Imagem: Ricardo ARDUENGO / AFP

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se projetar como o "presidente eleito do Brasil" no exterior — após ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — tem poucas chances de conquistar tração ou legitimidade internacional. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Neuton Silva Neto, mestre pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Ciências Militares.

O posicionamento do docente analisa o manifesto divulgado por Flávio na última quarta-feira (28), logo após sua chegada aos Estados Unidos com a família. No documento, o senador alegou fraude eleitoral sem apresentar provas, anunciou a intenção de liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior e referiu-se a si mesmo como "o verdadeiro presidente eleito" — trecho removido do texto republicado minutos depois em suas redes digitais.

Desafios internos nos EUA e o limite do apoio de Trump

Na visão do especialista, a estratégia política de Flávio esbarra na complexa conjuntura doméstica norte-americana. Donald Trump enfrenta uma disputa decisiva nas eleições de meio de mandato (midterms), agendadas para novembro, com projeções indicando risco de perda da maioria republicana na Câmara e no Senado.

"O governo Trump está passando por uma celeuma interna bastante elevada por causa das eleições de meio-termo [...]. O presidente Trump pode dizer que há indícios de fraude, mas ele sabe que, se perder as midterms, sofrerá forte pressão interna. É o tipo de briga que ele não vai querer comprar com o Brasil neste momento", pontua Neuton Silva Neto.

A rota de fuga e o amplo reconhecimento internacional de Lula

Na carta enviada à imprensa, Flávio expressou agradecimentos explícitos aos presidentes Donald Trump e Javier Milei (Argentina) pelo auxílio prestado durante sua saída do Brasil. O especialista aponta que a menção confirma que o senador utilizou uma rota de fuga estratégica passando pela Argentina para evitar o espaço aéreo e o território brasileiro, prevenindo uma potencial interceptação ou interceptação de aeronave por autoridades locais.

Apesar da articulação com governos aliados, o professor ressalta que a tentativa de contestação do pleito não altera a conjuntura diplomática global:

  • Chancela Internacional: A vitória do presidente Lula já foi reconhecida e parabenizada por mais de 100 dos 193 países da ONU.

  • Cenário de Aliados: Países que não formalizaram o reconhecimento imediato enfrentam instabilidades próprias, como Israel, que passa por processo eleitoral com chance de queda do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

  • Contradição sobre a prorrogação: A contestação de Flávio baseia-se no adiamento do término da votação determinado pelo ministro do STF Cristiano Zanin — medida que a própria campanha de Flávio havia solicitado e cujos votos computados após as 17h representaram uma parcela insignificante do resultado total, chancelado pelo TSE.

Perspectivas de isolamento político

Ao deixar o país após ser alvo de ordem judicial para a entrega de seus passaportes (posteriormente cancelados pela Polícia Federal), o senador alegou perseguição política do Judiciário brasileiro. Para Neuton Silva Neto, a postura do ex-candidato reflete incapacidade de aceitar a derrota nas urnas:

"Ele se autoproclamar dá a ideia de que é um péssimo perdedor. Para a comunidade internacional, provavelmente não vai mudar quase nada, porque ele não terá a representatividade de um presidente eleito. A tendência é Flávio ficar isolado, continuar o trabalho de seu irmão Eduardo junto à Casa Branca e torcer para que Trump consiga fazer um sucessor."



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