Com apenas sete meses de mandato, o presidente do Chile, José Antonio Kast, enfrenta um cenário de rápida deterioração dos indicadores socioeconômicos. O Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou retração de 0,3% no terceiro trimestre de 2026, acumulando a segunda queda trimestral consecutiva (após recuo de 0,2% no segundo trimestre).
No mesmo período, a taxa de desemprego avançou 1 ponto percentual em 12 meses, alcançando 9,6%. A conjunção entre desaceleração produtiva, inflação de combustíveis e cortes em programas sociais elevou a rejeição ao governo, com índices de desaprovação superiores a 60%.
A desaceleração chilena é impulsionada pela combinação de choques externos, desaceleração na produção mineral e restrição de gastos públicos:
Gargalo no Setor de Cobre: Responsável por 40% a 50% das exportações chilenas, a produção do minério caiu 8% entre janeiro e agosto de 2026 em comparação ao ano anterior, afetada por esgotamento de minas, entraves tecnológicos, eventos climáticos extremos e paralisações operacionais;
Preço dos Combustíveis: Pressionado por conflitos no Oriente Médio, o governo optou por não conceder subsídios para conter as altas da gasolina e do diesel, gerando repasse inflacionário para a economia interna;
Revisão do FMI: O Fundo Monetário Internacional reduziu a projeção de crescimento do PIB chileno para 2026 de 1,8% para 0,6% — o segundo pior desempenho da América do Sul, à frente apenas da Bolívia (-3%).
O plano de austeridade do Executivo reduziu despesas em mais de US$ 1,4 bilhão (cerca de 2 trilhões de pesos chilenos). Os cortes orçamentários atingiram diretamente pastas sociais vitais:
| Ministério / Área Afetada | Redução Orçamentária (Pesos Chilenos) |
| Saúde | - 413 bilhões |
| Habitação | - 200 bilhões |
| Educação | - 197 bilhões |
| Trabalho | - 141 bilhões |
| Previdência | - 706 milhões |
A contenção de recursos e o anúncio de reajustes para a proposta orçamentária de 2027 motivaram protestos de entidades estudantis e sindicais nas ruas de Santiago. Paralelamente, levantamento da Fundação Horizonte Cidadão apontou que o enxugamento de recursos para o próximo ano pode afetar até 48 programas voltados à população de baixa renda.
Para conter a retração da atividade, o governo Kast anunciou um pacote de investimentos públicos no valor de 1,3 bilhão de pesos chilenos. O plano prevê o direcionamento de recursos para obras públicas de infraestrutura, subsídios estatais para contratação de mão de obra e linhas de crédito especial para preservação de pequenas e médias empresas.
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