Ministro Márcio Elias Rosa classifica como "excelente" a reunião com o representante comercial norte-americano. Estratégia é adiar o debate sobre temas sensíveis, como big techs e etanol, para destravar as negociações.
O Brasil e os Estados Unidos estão caminhando para selar um acordo sobre a taxação de produtos, o chamado "tarifaço". A afirmação foi feita nesta quarta-feira (20) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, no Palácio do Planalto.
O ministro classificou como "excelente" a reunião virtual realizada na terça-feira (19) com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA. O encontro é um desdobramento direto da agenda entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrida em Washington no último dia 7 de maio.
A avaliação do governo brasileiro é de que não será necessário impor um tratado amplo de imediato. A aposta das duas nações é fechar um acordo "progressivo" e "parcial", focado em áreas específicas para facilitar o consenso.
"O presidente Lula me incumbiu de apresentar alternativas para um acordo e tirar compromissos dos Estados Unidos, mas ainda não apresentamos os nossos pedidos", explicou Márcio Elias.
A estratégia: o que entra e o que fica de fora
Para destravar as tratativas, o Brasil sugeriu aos Estados Unidos deixar os temas mais espinhosos para um segundo momento. Segundo apurações de bastidores, os negociadores norte-americanos aceitaram a proposta.
O que fica para depois: Temas altamente controversos, como o comércio de aço, etanol, terras raras e a regulamentação das big techs.
Por onde começar: As negociações vão focar em áreas com menor tensão comercial, como a saúde. Há um interesse mútuo, por exemplo, no mercado de dispositivos médicos: os EUA querem vender, e o Brasil busca adquirir os equipamentos por preços mais atrativos.
Próximos passos e a "Seção 301"
Durante o encontro presencial entre Trump e Lula, ficou acordada a criação de um grupo de trabalho, com duração de 30 dias, exclusivamente para debater a questão tarifária.
O cronograma sofreu um atraso de uma semana devido a uma visita da equipe econômica norte-americana à China, mas uma nova rodada de negociações já está agendada para a próxima semana. O ministro brasileiro ressaltou, no entanto, que os diálogos atuais não impedem a continuação da "Seção 301" — mecanismo dos EUA que prevê a aplicação de medidas comerciais coercitivas.
Apesar das ressalvas, o clima diplomático segue amistoso. Após a reunião desta semana, Jamieson Greer utilizou as redes sociais para celebrar o andamento das conversas. O representante comercial dos EUA elogiou o "engajamento construtivo do Brasil para progredir em questões comerciais" e afirmou aguardar "com expectativa as discussões contínuas".
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