A coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que aceitou integralmente a lista com 19 exigências apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura recíproca de sigilos bancários, fiscais, patrimoniais e telefônicos dos candidatos, de familiares e de pessoas ligadas aos governos.
A aceitação formal das condicionantes será protocolada nesta quinta-feira (22), às 11h, em petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A confirmação foi dada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), integrante do núcleo estratégico da campanha petista.
“O candidato adversário protocolou no TSE [...] uma série de condicionantes numa tentativa de manobra [...] Todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer que não se opõe a absolutamente nada. Contanto que ele também cumpra e abra tudo”, afirmou Camilo Santana.
Flávio Bolsonaro apresentou suas 19 contrapropostas em documento anexado à petição inicial do PT no TSE. O requerimento do candidato do PL dividiu as exigências em quatro eixos principais:
Família e Instituto Lula: Acesso a dados fiscais e bancários da primeira-dama Rosângela da Silva (Janja), dos filhos do presidente — com destaque para Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) — e de empresas/entidades ligadas ao Instituto Lula;
Caso Banco Master: Registros de reuniões e movimentações financeiras ligadas a encontros do governo com o empresário Daniel Vorcaro;
Casos de investigação: Informações e sigilos telefônicos envolvendo a empresária e lobista Roberta Luchsinger e apurações sobre fraudes em aposentadorias do INSS;
Recursos e agendas públicas: Acesso detalhado a gastos com cartão corporativo da Presidência, registros de voos da Força Aérea Brasileira (FAB) e listas de visitas aos palácios presidenciais.
A disputa em torno da transparência patrimonial começou no debate presidencial do último domingo (18). Na terça-feira (20), Lula deu o primeiro passo ao formalizar no TSE a autorização para a quebra de seus próprios sigilos dos últimos oito anos, condicionando a publicação dos dados à liberação simultânea das informações de Flávio Bolsonaro e de seus familiares.
Com o aceite prévio de todas as exigências anexadas pelo PL, a decisão volta para o comitê do candidato do PL e para o plenário do TSE, que avaliará a viabilidade jurídica e os procedimentos operacionais para a eventual divulgação dos dados até a data da votação do segundo turno, marcada para o próximo domingo (25).
Rádio ao vivo