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Nova unidade de conservação de 3 mil hectares entre Guaratiba e Recreio busca cumprir metas internacionais de proteção ambiental

Por Redação TV SDB
18/10/2026 - Atualizado às 13:14


Imagem: Divulgação do governo do estado do Rio

O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá, uma nova unidade de conservação de 3 mil hectares situada na Zona Oeste da capital. A área abrange ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos que se estendem da ilhota do Frade, em Guaratiba, até a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. A iniciativa tem como objetivo central proteger os ecossistemas costeiros e, simultaneamente, garantir as condições para a subsistência de atividades econômicas tradicionais, como a pesca artesanal e o ecoturismo sustentável.


Proteção ambiental alinhada a metas globais

De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade, a criação da reserva representa um passo estratégico para o cumprimento das metas 30x30, assumidas pelo Brasil na Convenção para Proteção da Biodiversidade durante a COP-15, realizada em Montreal, no Canadá, em 2022. O pacto internacional estabelece que 30% do território nacional — abrangendo áreas terrestres, águas interiores e ambientes marinhos — estejam sob proteção em unidades de conservação até 2030. Enquanto o estado já alcançou a meta na porção terrestre, o esforço agora se volta para a expansão da proteção nas águas jurisdicionais.

Riqueza biológica e berçário de espécies ameaçadas

Estudos técnicos conduzidos pelo projeto Ilhas do Rio para embasar a criação da unidade revelaram uma expressiva riqueza ecológica na região. O levantamento identificou 102 espécies de peixes recifais (sendo três endêmicas e 39 de interesse comercial para pescadores, a exemplo de garoupas, corvinas, sargos, robalos e xaréus) e 143 espécies de organismos bentônicos, como polvos e lagostas de alto valor pesqueiro.

A área demonstrou ser um habitat fundamental e zona de reprodução para espécies que enfrentam risco de extinção, como o coral-cérebro (Mussismilia hispida), a estrela-do-mar Astropecten brasiliensis, o ouriço-lilás e chernes. Além disso, o litoral abrigado serve de rota e refúgio para baleias-jubarte, quatro espécies de tartarugas marinhas, aves ameaçadas e invertebrados raros. O nome escolhido, Urupirá, resgata a ancestralidade indígena da região ao significar “cesto do peixe”, homenageando a identidade histórica dos pescadores locais.

Gestão participativa e desenvolvimento sustentável 

A adoção da categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) foi fundamental para harmonizar a preservação ecológica com a presença humana e econômica. O modelo institucional assegura a participação ativa das comunidades pesqueiras na governança do território.

Entre as diretrizes previstas para a gestão da RDS Urupirá estão o monitoramento participativo dos recursos pesqueiros, o fomento à pesquisa científica, a ampliação de programas de educação ambiental, o reforço na fiscalização contra ilícitos ambientais e o ordenamento das atividades de turismo ecológico e visitação pública.



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