tvserradosbrindesoficial@gmail.com

Estudo da USP aponta que cortes em benefícios sociais e previdenciários podem provocar retração severa na economia do interior e disparar índices de pobreza

Por Redação TV SDB
18/10/2026 - Atualizado às 11:26


Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

Uma estagnação ou corte nos valores de benefícios sociais e previdenciários — como aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) — tem o potencial de causar uma retração severa na atividade econômica dos municípios do interior do Brasil. É o que aponta um levantamento inédito divulgado nesta semana pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).


Impacto econômico regional e o peso no 'Brasil profundo' De acordo com a pesquisa, os auxílios e transferências públicas representam uma parcela expressiva da renda das famílias de baixa renda nas cidades do interior, chegando a compor quase metade de seus orçamentos. Como esses recursos são integralmente direcionados à aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro possui alto poder de circulação imediata no comércio local, garantindo postos de trabalho e sustentando a arrecadação fiscal dos municípios.

O estudo aponta que, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão situados fora das regiões metropolitanas. Nessas localidades, o peso das transferências públicas chega a ser o dobro do registrado nos grandes centros urbanos. Enquanto nas capitais e regiões metropolitanas (a exemplo do Ceará) os benefícios respondem por 22% da renda agregada, no interior esse patamar salta para 40%.

Projeções de retração e estados mais vulneráveis

Para estimar os reflexos macroeconômicos, os pesquisadores compararam o cenário de crescimento real observado nos benefícios entre 2022 e 2025 com um contexto de estagnação semelhante ao verificado entre 2019 e 2022 (marcado por congelamentos e ausência de ganhos reais).

As projeções indicam que a ausência de valorização real provocaria uma retração na renda agregada do interior brasileiro entre 6,8% e 10,8%. Entre os cenários mais críticos mapeados pelo Made/USP destacam-se:

  • Quedas de 17% a 18%: Interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí;

  • Quedas de cerca de 15%: Amazonas, Sergipe e Pernambuco;

  • Quedas entre 10% e 13%: Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia;

  • Quedas de aproximadamente 6,5%: Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Riscos de avanço da pobreza e extrema pobreza 

Além da dinâmica macroeconômica, o levantamento enfatiza o papel protetivo dos benefícios no combate à vulnerabilidade social. Simulações estatísticas apontam que a ausência de reajustes reais teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza em municípios não metropolitanos, sendo 2,4 milhões delas diretamente para a extrema pobreza.

Em termos absolutos, os maiores aumentos populacionais na faixa de pobreza ocorreriam na Bahia (com até 336 mil pessoas afetadas), São Paulo (263 mil) e Minas Gerais (251 mil), seguidos por Maranhão, Pará e Ceará, cada um com acréscimos superiores a 200 mil pessoas. Os pesquisadores concluem que preservar a política de valorização real da previdência e dos programas de transferência de renda é medida indispensável para garantir a dignidade básica das famílias e a sobrevivência do comércio local.



Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.


Logo player Rádio ao vivo