Em entrevista ao Grupo A Tarde, o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, fez um balanço dos 32 anos de atuação da companhia e analisou sua consolidação como vetor do planejamento econômico da Bahia. Com uma rede que supera 1.350 quilômetros de extensão e atende a mais de 100 mil clientes nos segmentos industrial, comercial, residencial e de transportes, o executivo destacou os projetos de interiorização e o papel do gás na transição energética sustentável.
Venda de participação acionária e manutenção do controle estatal
Diante da publicação do Decreto nº 24.839/2026, que autorizou a alienação de uma fatia das ações da companhia pertencentes ao Governo do Estado, Gavazza buscou esclarecer os efeitos práticos da medida no funcionamento da concessionária:
Controle preservado: A alienação refere-se estritamente a uma participação minoritária. A Bahiagás permanecerá como sociedade de economia mista sob controle estatal.
Marcos regulatórios: O contrato de concessão, as obrigações com os consumidores e a regulação exercida pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) não sofrerão alterações.
Avaliação do ativo: O processo passará por auditoria e avaliação econômico-financeira independente para definir o valor de mercado da fatia sem antecipação de estimativas prévias.
Investimentos no Gás Sudoeste e interiorização
Apontado como o principal símbolo da estratégia de expansão regional, o programa Gás Sudoeste prevê a implantação de aproximadamente 306 quilômetros de tubulações com um aporte superior a R$ 680 milhões. Segundo o gestor, a chegada da infraestrutura energética a regiões distantes da capital é premissa básica para induzir a industrialização, viabilizar projetos no setor de mineração e atrair empreendimentos produtivos.
Transição energética e avanço do biometano
Sobre o panorama ambiental e de mercado, o diretor-presidente reforçou que o gás natural atua como combustível de transição complementar às matrizes renováveis (eólica e solar), substituindo energéticos de maior emissão de poluentes, como óleo combustível e diesel.
Além disso, Gavazza apontou o biometano (Gás Natural Renovável) — derivado do aproveitamento de resíduos agrícolas, agroindustriais e urbanos — como a próxima fronteira estratégica da estatal, aproveitando a forte vocação do agronegócio baiano e reaproveitando a rede de distribuição já consolidada.
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