O ministro da Educação da França, Edouard Geffray, anunciou o envio de 3 mil professores substitutos adicionais para os liceus (escolas de ensino médio para jovens de 15 a 18 anos) no país. O anúncio, feito na quinta-feira (8), representa o primeiro sinal de concessão do governo francês após três semanas de intensos protestos estudantis por mais recursos para o setor de ensino. Dimensão dos protestos e episódios de violência
O movimento reuniu cerca de 71 mil manifestantes em todo o país no chamado "Quarto Ato", sendo 24 mil concentrados na Praça da Bastilha, em Paris. Confrontos entre manifestantes e forças policiais resultaram no uso de gás lacrimogêneo, agressão a um vice-diretor em Marselha e depredação de uma escola em Bordeaux. Desde o início das mobilizações, a polícia registrou 6.877 prisões, das quais 86% são de menores de idade. Medidas propostas e limites orçamentários
A proposta do Ministério da Educação prevê: Alocação de 3 mil professores substitutos por meio de uma plataforma online para cerca de 500 escolas prioritárias, situadas em sua maioria nos subúrbios das grandes cidades; Aumento de verba para pagamento de horas extras a professores que queiram cobrir ausências; Inclusão das demandas estudantis nos debates do orçamento estatal para 2027. O governo, pressionado pela situação fiscal e pelo monitoramento dos mercados financeiros sobre a dívida do país, evitou anunciar aportes financeiros de grande porte para não transparecer cedência à pressão dos atos. Reação dos sindicatos e polarização política
A resposta dos movimentos estudantis foi de cautela e insatisfação: Renouveau Lycéen (fração moderada): Declarou que aguarda os resultados práticos antes de suspender as mobilizações. União dos Estudantes: Rejeitou a proposta e manteve a exigência de um investimento de 10 bilhões de euros (cerca de R$ 56 bilhões). No ambiente político, o movimento gerou forte polarização a poucos meses das eleições presidenciais. Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa, extrema-esquerda) comemorou os atos, enquanto o Rali Nacional (extrema-direita) criticou o anúncio, acusando o governo de legitimar episódios de violência. Cenário de tensão generalizada
Apesar de uma queda no número de escolas paralisadas (140 de um total de 3,5 mil no país), novas manifestações estudantis foram convocadas para a próxima terça-feira (13). O ambiente de insatisfação social é ampliado pelas dificuldades no setor agrícola e pela alta dos combustíveis, com uma nova mobilização inspirada nos "coletes amarelos" agendada para o dia 17 de outubro. O Executivo aposta no esfriamento dos atos com a chegada do próximo feriado escolar e do clima frio na região.
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