tvserradosbrindesoficial@gmail.com

WhatsApp lidera buscas, mas influenciadores têm baixa confiança na periferia, diz estudo

Por Redação TV SDB
13/05/2026 - Atualizado às 00:24


Imagem: Imagem: Shutterstock

Levantamento feito em três estados mostra que a baixa qualidade de conexão afasta a população de notícias confiáveis. Para driblar o problema e a falta de tempo, moradores confiam mais em líderes comunitários do que em influenciadores digitais.

A falta de acesso à internet e a conexão de baixa qualidade ainda são os principais obstáculos para manter a população bem informada. É o que aponta a pesquisa "Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil", divulgada nesta quarta-feira (13).

Realizado pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas, o levantamento ouviu cerca de 1.500 pessoas nas cidades de Santarém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), e traçou um raio-X das dificuldades enfrentadas por essas populações no acesso à informação.

Os obstáculos: conexão, tempo e verificação

A pesquisa revela como as barreiras estruturais e o cansaço diário abrem portas para a desinformação:

  • Conexão: A dificuldade de se conectar à internet é um problema enfrentado por 1 em cada 4 entrevistados.

  • Checagem: Cerca de 17% das pessoas admitem que não conseguem diferenciar com facilidade se uma informação é falsa ou verdadeira.

  • Falta de tempo: Para 16%, a dificuldade de selecionar conteúdos confiáveis está ligada à falta de tempo. O estudo destaca que pessoas com rotinas exaustivas e múltiplas funções — realidade de muitas mulheres nas periferias — têm menos tempo livre para refletir sobre o conteúdo recebido.

Onde e por que a periferia se informa?

O celular é o dispositivo mais utilizado, seguido por televisão, computador e rádio. O principal objetivo dos moradores ao buscar notícias é entender o que acontece no próprio bairro (17%), tomar decisões (14%), compartilhar informações (12%) e ter assunto para conversas (11%).

Os aplicativos de mensagens e redes sociais dominam o acesso, com destaque para o WhatsApp e o Instagram. Contudo, o consumo varia conforme a região:

  • São Paulo e Recife: Apresentam um consumo mais diversificado, mesclando plataformas, sites de notícias e redes sociais.

  • Santarém: Onde o acesso digital é mais restrito, prevalece o uso do WhatsApp atrelado a mídias tradicionais, como TV aberta e rádio.

A crise de confiança nos influenciadores

Quando o assunto é a credibilidade da notícia, as mídias tradicionais e os sites jornalísticos lideram a preferência do público. Pessoas conhecidas, professores e lideranças comunitárias também aparecem no topo do ranking de confiança.

Em contrapartida, os influenciadores digitais estão no fim da fila no quesito credibilidade, perdendo até mesmo para os grupos de WhatsApp, contrariando as expectativas do mercado digital.

O poder do jornalismo local e os próximos passos

Para a diretora da Coalizão e coordenadora do estudo, Thais Siqueira, o combate à desinformação exige ir além da simples checagem de fatos ("fact-checking").

"Mais do que melhorar formatos ou ampliar alcance, o desafio é mudar a lógica: sair de um jornalismo que só 'fala' para um jornalismo que escuta e constrói junto", aponta o relatório. A coordenadora reforça a necessidade de reconhecer e financiar os sistemas próprios de comunicação das periferias. "A confiança passa por relações, experiências e referências locais, e o jornalismo precisa dialogar com isso, em vez de ignorar", sintetizou Thais.

Entre as 16 recomendações do estudo para democratizar a comunicação, destaca-se a adaptação do formato das notícias. Para não esgotar os pacotes limitados de dados de internet da população, a pesquisa sugere investir fortemente na produção de informação via áudios, vídeos curtos e conteúdos facilmente compartilháveis pelas plataformas de mensagem.



Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.


Logo player Rádio ao vivo