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Mostra de Cinema de SP chega aos 50 anos como vitrine do cinema mundial e espaço de formação de público

Por Redação TV SDB
07/10/2026 - Atualizado às 13:26


Imagem: JoaoPinto@wondermaria2/Divulgação

Ao atingir a marca de 50 edições, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é celebrada por frequentadores assíduos e pela organização como um patrimônio cultural responsável por ampliar os horizontes do público brasileiro para além dos sucessos comerciais de Hollywood. Ao longo de sua trajetória, o evento exibiu mais de 11,6 mil filmes de 8,4 mil cineastas de diversos países.


Descobertas e encontros históricos Um dos grandes atrativos do festival é a oportunidade de presenciar o surgimento de novos talentos. Em 1992, na 16ª Mostra, o jornalista Ubiratan Brasil esteve em uma sessão matutina no Masp com apenas 16 pessoas na plateia. O diretor presente, até então um desconhecido conversando com o público na saída da sala, era Quentin Tarantino exibindo Cães de Aluguel.

Em épocas pré-internet, o evento funcionava como uma verdadeira aventura cinematográfica, onde cinéfilos enfrentavam projeções com legendas em idiomas estrangeiros para ter acesso a produções asiáticas, cubanas e europeias que não chegavam aos circuitos comerciais.

Origem na ditadura e formação de "mostreiros" Criada em outubro de 1977 pelo crítico Leon Cakoff para celebrar os 30 anos do Masp, a primeira edição reuniu 15 mil espectadores e 23 filmes, contornando com habilidade a censura do regime militar vigente. Ao longo das décadas, o festival transformou-se em uma "usina de ideias", formando críticos, diretores e uma comunidade de frequentadores — carinhosamente chamados de "mostreiros" — que mantêm tradições e laços de afeto em torno do evento. A democratização do acesso também se consolidou por meio de exibições gratuitas e sessões em bairros periféricos.

Resiliência e a 50ª edição A Mostra destaca-se por sua capacidade de adaptação: nunca foi interrompida, recorrendo a formatos virtuais e drive-ins durante a pandemia, e ajustando seu porte de acordo com os orçamentos de cada ano.

Na edição comemorativa de 50 anos, o festival exibe 380 filmes de 93 países. A diretora do evento, Renata de Almeida — que atua na organização há 37 anos, desde 1989 —, lança o livro Antes Que Eu Me Esqueça, reunindo memórias pessoais e bastidores de quase quatro décadas dedicadas ao festival.



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