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De carne a soja: como a viagem de Trump à China pode impactar as exportações brasileiras

Por Redação TV SDB
13/05/2026 - Atualizado às 01:09


residente americano inicia viagem de negócios a Pequim nesta quarta-feira (13). Pauta inclui retomada do mercado de carnes e soja — hoje dominado pelo Brasil —, interesses tecnológicos e a crescente tensão em torno de Taiwan e do Oriente Médio.

Estados Unidos e China, as duas maiores potências do século 21, disputam o protagonismo em um mundo marcado por guerras, incertezas econômicas e mudanças tecnológicas profundas. É neste cenário de alta tensão que o presidente norte-americano, Donald Trump, inicia nesta quarta-feira (13) uma visita estratégica a Pequim para se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping.

A própria Casa Branca já definiu o tom do encontro de dois dias: trata-se de uma viagem de negócios voltada para fechar acordos comerciais e medir forças no tabuleiro geopolítico global.

O fator Elon Musk e a busca por terras raras

Para reforçar o caráter econômico, Trump leva em sua comitiva o bilionário Elon Musk — superando um atrito público ocorrido em junho de 2025. Dono da Tesla, da rede social X e de uma empresa de robótica, o grande interesse de Musk na China atende pelo nome de neodímio, um mineral do grupo das "terras raras".

A China domina a produção e o processamento dos ímãs feitos desse material, essenciais para a fabricação de robôs humanoides. Musk já declarou a acionistas que o acesso a esses componentes é o caminho para transformar sua empresa na maior do mundo.

A pauta dos EUA e o alerta para o Brasil

A delegação americana colocará cinco pontos principais na mesa. Os dois primeiros acendem um sinal de alerta direto para a economia brasileira, que pode virar moeda de troca no encontro:

  • 1. Carnes: Antes da guerra tarifária, os EUA exportavam quase US$ 2 bilhões em carne para a China. Com as restrições atuais, o Brasil assumiu o posto de maior fornecedor de carne bovina para o país asiático. Trump pressionará forte pela reabertura desse mercado.

  • 2. Soja: O cenário é o mesmo. O agronegócio brasileiro preencheu o vácuo deixado pelos agricultores americanos no mercado chinês. Como os produtores de soja dos EUA são uma base eleitoral forte para Trump — que tem eleições para o Congresso no radar em novembro —, retomar esse espaço é prioridade.

  • 3. Aviões: A comitiva inclui o CEO da Boeing. A expectativa é o anúncio da venda de cerca de 600 aeronaves comerciais para companhias chinesas.

  • 4 e 5. Comissões Bilaterais: A criação de grupos focados em comércio e investimentos em áreas não sensíveis à segurança nacional.

As exigências da China: os "Três Ts"

Do outro lado, o governo de Xi Jinping baseia sua negociação no que está sendo chamado de "Três Ts":

  • Tarifas: Pequim quer a manutenção das taxas reduzidas ou cortes ainda maiores.

  • Tecnologia: Foco na garantia de importação de chips e componentes avançados americanos.

  • Taiwan (O mais sensível): A China considera o arquipélago parte de seu território e exige que Washington diminua ou encerre o financiamento e envio de armas à ilha.

O elefante na sala: o poder militar

Embora não seja um item oficial para negociação comercial, o crescente poderio militar chinês paira sobre o encontro. Nas últimas décadas, o orçamento de defesa da China saltou de US$ 15 bilhões (em 2000) para cerca de US$ 300 bilhões atuais.

Embora ainda gaste menos que os EUA (cujo orçamento beira US$ 1 trilhão), a China avança rapidamente. A frota naval chinesa já supera a americana em número de embarcações, e o país tem investido pesado em caças invisíveis de 5ª geração (Chengdu J20) e em uma rede de satélites para rivalizar com o GPS americano. O Pentágono estima que o arsenal nuclear de Pequim dobrará até 2035, ultrapassando 1.500 ogivas.

O futuro de Taiwan e as lições globais

Xi Jinping estabeleceu o ano de 2027 como prazo para a modernização total do Exército chinês, data que muitos analistas geopolíticos interpretam como o marco para uma possível anexação de Taiwan.

No entanto, especialistas apontam que Pequim prefere a coerção à força bruta. O objetivo é construir Forças Armadas tão poderosas que Taiwan se veja sem escolha a não ser aceitar a reunificação pacífica ("anexação por convite").

Para moldar essa força, a China observa e aprende com os conflitos atuais. Componentes chineses abastecem a Rússia na Ucrânia, e as táticas de uso de enxames de drones no Oriente Médio estão sendo estudadas de perto por Pequim, que já projeta um exército de robôs humanoides para as guerras do futuro.

Além disso, a própria guerra no Irã será pauta, com Trump devendo pressionar Xi Jinping a usar sua influência para convencer Teerã a abrir o Estreito de Ormuz.



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