A moeda americana recuou 0,59% e atingiu a menor cotação desde janeiro de 2024. No exterior, investidores repercutem o aumento na criação de vagas nos Estados Unidos e novos confrontos no Estreito de Ormuz.
O mercado de câmbio encerrou a sessão desta sexta-feira (8) com um marco importante: o dólar fechou em queda de 0,59%, cotado a R$ 4,8942. Esta é a primeira vez que a moeda americana encerra o dia abaixo da barreira de R$ 4,90 desde 15 de janeiro de 2024 (quando marcou R$ 4,8657).
Acompanhando o otimismo local, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrou avanço de 0,49%, fechando aos 184.108 pontos. O movimento do mercado doméstico foi ditado por dois fatores externos de grande peso: o petróleo e a economia americana.
O peso do petróleo e as tensões no Oriente Médio
A escalada das tensões geopolíticas voltou a colocar o mercado de energia em estado de alerta. Novas trocas de ataques entre os Estados Unidos e o Irã foram registradas no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o escoamento global de petróleo e combustíveis.
Os ataques: As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter disparado contra as chaminés de petroleiros vazios que tentavam furar o bloqueio naval americano em direção ao Irã. O presidente Donald Trump reiterou que segue sem diálogo com Teerã, fragilizando ainda mais o atual cessar-fogo.
O impacto nos preços: O risco de interrupção na oferta fez os preços dispararem. O barril Brent (referência internacional) superou a marca de US$ 100, operando em alta de 0,53%, a US$ 100,59. O WTI (referência nos EUA) subiu 0,12%, a US$ 94,92.
O reflexo no Brasil: Como o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities, a alta do petróleo atrai mais dólares para o país via exportações. Esse fluxo aumenta a oferta da moeda americana no mercado interno, pressionando sua cotação para baixo frente ao real.
Economia aquecida nos EUA
Na agenda econômica, o destaque absoluto foi a divulgação do payroll — o principal relatório oficial de emprego dos Estados Unidos. Os números mostraram que a maior economia do mundo gerou 115 mil vagas de trabalho em abril, superando as expectativas dos analistas. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, contrariando as previsões de alta.
Os dados reforçam a percepção de que a economia americana continua bastante aquecida, o que pode forçar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a manter as taxas de juros elevadas por um período mais longo para conter a inflação.
Como fecharam os Mercados Globais
Wall Street (EUA): O dia foi positivo, impulsionado pelos dados de emprego. O S&P 500 subiu 0,83% e o Nasdaq, focado em tecnologia, saltou 1,71%. O Dow Jones teve leve avanço de 0,02%.
Europa: O continente fechou no vermelho, pressionado pelo temor de juros altos nos EUA e pela crise no Oriente Médio. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,7%. A bolsa de Frankfurt caiu 1,32%, Paris perdeu 1,09% e Londres recuou 0,43%.
Ásia: Sessão de forte otimismo. No Japão, o índice Nikkei disparou 5,58%. Na China, o Shanghai Composite avançou 0,48% e o índice de Hong Kong (Hang Seng) registrou alta de 1,57%.
Rádio ao vivo