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CineSesc exibe documentário 'Arquivo Vivo' sobre a trajetória de Vincent Carelli e o projeto Vídeo nas Aldeias

Por Redação TV SDB
11/09/2026 - Atualizado às 13:27


Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

O CineSesc, em São Paulo, exibe nesta quinta-feira (10) o documentário Arquivo Vivo, codirigido pelo indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli e por Ana Carvalho. Integrante da programação do festival Amor ao Cinema, o longa resgata a história de criação e consolidação do projeto Vídeo nas Aldeias (VNA), iniciativa pioneira criada na década de 1980 responsável por um acervo de mais de 70 filmes realizados pelos próprios povos originários brasileiros.

Primeiros Contatos e Atuação no Indigenismo

  • Início com o povo Xikrin: Aos 16 anos, motivado por relatos de um professor missionário, Carelli realizou sua primeira viagem a uma comunidade Mẽbengôkre Xikrin (Kayapó Xikrin), no Pará — experiência definitiva que o levou a deixar a Universidade de São Paulo (USP) para fixar residência e trabalhar junto aos indígenas.

  • Perseguição na ditadura militar: Convidado pelos próprios Xikrin a permanecer na aldeia após concluir formação em Brasília, sofreu restrições dos órgãos estatais da época por conta de sua proximidade com as comunidades.

  • Atuação profissional: Nos anos 1970, trabalhou na Funai, cofundou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e atuou como repórter fotográfico e pesquisador no Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi, atual Instituto Socioambiental - ISA).

Criação do Vídeo nas Aldeias e Autonomia da Imagem

  • Inversão do olhar audiovisual: A partir de articulações com o cineasta Andrea Tonacci e a chegada da tecnologia VHS, Carelli fundou oficialmente o Vídeo nas Aldeias em 1986 ao lado da antropóloga Virgínia Valadão, transformando os indígenas de objetos de filmagem em realizadores de suas próprias narrativas visuais.

  • Preservação de memórias: A documentação audiovisual manteve-se ativa inclusive durante a pandemia de covid-19, funcionando como registro da história de lideranças e anciãos das comunidades.

  • Debate institucional: O indigenista defende a garantia de soberania e livre acesso dos povos originários sobre seus próprios registros visuais, questionando o monopólio e a falta de autonomia indígena dentro de museus e instituições públicas de memória.

Ficha Técnica da Exibição

  • Filme: Arquivo Vivo (Brasil, 2026, 137 min)

  • Direção: Vincent Carelli e Ana Carvalho

  • Evento: Festival Amor ao Cinema

  • Local: CineSesc – São Paulo (SP)

  • Classificação indicativa: Livre



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