A Acelen, controlada pelo fundo Mubadala Capital e administradora da Refinaria Mataripe em São Francisco do Conde (BA), detalhou seus projetos de transição energética com foco na produção de diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF) a partir da macaúba. Em visita institucional ao Grupo A TARDE, a diretoria da empresa apresentou as perspectivas para a implantação da nova planta, analisou os impactos do mercado global de combustíveis e fez um balanço dos cinco anos de operação do complexo baiano.
Biorrefinaria, Macaúba e Combustível Sustentável (SAF)
Aporte financeiro e capacidade: A Acelen Renováveis está investindo US$ 1,5 bilhão na construção da biorrefinaria vizinha a Mataripe (integrada a um programa global estimado em US$ 4 bilhões), projetada para produzir até 1 bilhão de litros de combustíveis verdes anuais a partir do primeiro semestre de 2029.
Cultivo e agricultura familiar: O plano contempla o plantio de 144 mil hectares de macaúba, destinando ao menos 20% da área produtiva para parcerias diretas com a agricultura familiar e estimativa de gerar 85 mil empregos diretos e indiretos na cadeia do agronegócio regional.
Cenário de Mercado, Polo de Camaçari e Especulações de Recompra
Tensão geopolítica e preços: A empresa apontou os conflitos no Oriente Médio envolvendo o Irã como fator de instabilidade internacional nas cotações do barril de petróleo, destacando que a adesão a subvenções do governo federal atuou como amortecedor contra repasses mais severos ao consumidor final.
Polo Petroquímico e recuperação da Braskem: Defendeu uma coalizão entre o setor privado e os governos estadual e federal para diversificar e modernizar as operações no Polo Industrial de Camaçari.
Rumores de recompra pela Petrobras: A gestão reiterou que eventuais negociações societárias competem exclusivamente ao Mubadala Capital e à Petrobras, mantendo o foco executivo na competitividade do ativo, que já recebeu R$ 4 bilhões em melhorias desde 2021.
Balanço Operacional e Indicadores de Mataripe
Elevação de processamento: Ao longo de cinco anos de gestão privada, a capacidade de refino subiu de 205 mil para uma faixa entre 280 mil e 290 mil barris por dia.
Peso econômico: O complexo responde por 679 km de oleodutos integrados, cerca de 10% do PIB da Bahia, 16% da arrecadação estadual de ICMS e uma média anual de US$ 200 milhões em investimentos industriais.
Sustentabilidade e governança social: A operação registrou corte de 93% no volume de resíduos gerados (conquistando o selo prata de resíduo zero), diminuição do consumo energético e emissões de queima (flare), além de aportes de quase R$ 35 milhões em ações sociais nas comunidades do entorno.
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