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Especialistas defendem protagonismo indígena na recuperação de 1,79 milhão de hectares degradados na Amazônia

Por Redação TV SDB
06/09/2026 - Atualizado às 11:39


Imagem: André Villas Bôas/ISA

No Dia da Amazônia (5), especialistas e organizações socioambientais destacaram a necessidade de posicionar as comunidades tradicionais no centro dos programas de regeneração ambiental. Com um potencial estimado em 1,79 milhão de hectares passíveis de restauração em terras indígenas da Amazônia, a estratégia busca integrar o conhecimento tradicional indígena a ferramentas tecnológicas de tomada de decisão, ampliando a segurança alimentar, a proteção hídrica e a autonomia territorial.

Diagnóstico Territorial e Metas Climáticas

  • Potencial de restauração (TerraClass): As terras indígenas na Amazônia reúnem 952,3 mil hectares degradados (predominantemente por pastagens, além de lavouras e mineração) e 840,5 mil hectares de vegetação secundária, totalizando 1,79 milhão de hectares com viabilidade de regeneração.

  • Barreira ao desmatamento (MapBiomas): Apesar do avanço de pressões externas, apenas 1,7% de toda a supressão de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de territórios indígenas.

  • Metas governamentais: O esforço soma-se ao compromisso internacional apresentado pelo Brasil na COP17 de restaurar 163 mil km² até 2030, além das metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê 12 milhões de hectares recuperados.

Dimensão Sociocultural e Soberania Alimentar

  • Restauração biocultural: Representantes da The Nature Conservancy (TNC) Brasil pontuam que a recuperação não deve focar apenas na métrica de árvores plantadas, mas na reintrodução de espécies alimentares, plantas medicinais e sementes nativas adaptadas à cultura de cada etnia.

  • Protagonismo feminino: Mulheres indígenas exercem papel estratégico na preservação da agrobiodiversidade, salvaguarda de sementes e conservação das práticas agrícolas tradicionais.

Ferramenta Integrada e Governança Local

  • Sistema de priorização técnica: A Funai, em parceria com a TNC Brasil, Coiab e o programa britânico UK PACT, desenvolveu uma ferramenta de análise multicritério que cruza indicadores de degradação, segurança hídrica, vulnerabilidade climática, risco de queimadas e saúde coletiva.

  • Autonomia e consulta prévia: O modelo analítico subsidia a aplicação de recursos em projetos socioprodutivos alinhados à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), assegurando que a decisão final sobre as intervenções caiba exclusivamente às lideranças locais.



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