Moeda americana fechou a segunda-feira (27) com queda de 0,31%, enquanto o principal índice da bolsa brasileira perdeu 0,61%. Cautela global é ditada pelas negociações sobre o Estreito de Ormuz e avanço do barril de petróleo.
O dólar emendou o terceiro dia consecutivo de queda nesta segunda-feira (27) e encerrou a sessão cotado a R$ 4,9823, um recuo de 0,31%. Na contramão, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou no vermelho, registrando perdas de 0,61% e caindo para os 189.579 pontos.
O movimento reflete um dia de forte cautela nos mercados globais. O recuo da moeda americana frente ao real acompanha o avanço dos preços do petróleo no exterior, impulsionado pelo impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã.
O xadrez geopolítico no Oriente Médio
O frágil cessar-fogo e a falta de um acordo definitivo entre Washington e Teerã mantêm os investidores em alerta máximo. O ponto central da tensão é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa mais de 20% de todo o comércio global de petróleo e que segue com baixo fluxo de embarcações, elevando o temor de desabastecimento de energia.
Nesta segunda-feira, o barril do tipo Brent (referência internacional) chegou a bater os US$ 108,50 antes de estabilizar em alta de pouco mais de 1%, a US$ 106,47.
A proposta iraniana: Teerã ofereceu reabrir o canal com três condições: o fim do bloqueio americano aos portos iranianos, o fim da guerra e o adiamento das discussões sobre o enriquecimento de urânio.
A reação americana: A Casa Branca afirmou que avalia a oferta, mas reiterou suas exigências. No fim de semana, o presidente Donald Trump esfriou as expectativas ao cancelar a visita de enviados ao Paquistão (país mediador) e prorrogar a isenção da Lei Jones, permitindo o transporte de petróleo por embarcações estrangeiras devido ao conflito.
O impacto no Brasil: Boletim Focus
No cenário doméstico, a pressão externa já afeta as perspectivas econômicas. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou a sétima semana consecutiva de alta nas projeções de inflação para 2026. A estimativa subiu de 4,80% para 4,86%, refletindo diretamente a escalada do petróleo.
Outros ajustes no relatório incluem:
Inflação (2027): Projeção subiu de 3,99% para 4%.
Dólar: A expectativa para o fim deste ano recuou de R$ 5,30 para R$ 5,25.
PIB: A projeção de crescimento para 2026 teve uma leve queda, passando de 1,86% para 1,85%.
Taxa Selic: O mercado manteve a estimativa de juros a 13% ao ano para o final de 2026.
Como fecharam os Mercados Globais
Wall Street: Fechamento misto. O S&P 500 subiu 0,12% e o Nasdaq teve alta de 0,20%. Já o Dow Jones recuou 0,13%.
Europa: O continente fechou no vermelho. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,3%. O britânico FTSE 100 liderou as baixas (-0,56%), seguido pelo alemão DAX (-0,19%) e o francês CAC 40 (-0,19%).
Ásia: Sessão sem direção única. Na China, o Shanghai Composite subiu 0,16%. No Japão, o Nikkei avançou 1,38% e, na Coreia do Sul, o KOSPI teve forte alta de 2,15%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,20%.
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