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O papel do ensino de jornalismo na era da IA: ética e pensamento crítico ganham foco

Por Redação TV SDB
23/04/2026 - Atualizado às 15:57


Imagem: Foto : Sam Balye/Unsplash

Os rápidos avanços da Inteligência Artificial (IA) e a crescente onda de desinformação impõem um desafio direto às faculdades de jornalismo: a necessidade de potencializar uma formação humana, firmemente baseada na ética e no senso crítico.

A avaliação é da professora Marluce Zacariotti, da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej). A pesquisadora está em Brasília para participar do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), na Universidade de Brasília (UnB), que ocorre até o dia 24 de abril.

Segundo Marluce, esses pilares éticos são indispensáveis para reconquistar e manter a confiança da sociedade.

IA como tema transversal, não apenas disciplina

A pesquisadora argumenta que o atual cenário exige reflexão profunda, e não apenas uma resposta técnica. Para ela, a solução não é simplesmente criar uma nova disciplina sobre Inteligência Artificial ou combate a fake news na grade curricular.

A proposta é que esses temas sejam trabalhados de forma transversal em todo o curso. “É preciso olhar para a pedagogia do jornalismo com o objetivo de reafirmar o papel clássico da atividade”, destacou.

A formação deve focar em:

  • Metodologia: Fortalecer a pesquisa jornalística e as técnicas de verificação de dados.

  • Extensão: Olhar além dos muros da faculdade, estabelecendo parcerias com a comunidade para entender novos contextos sociais, econômicos e políticos.

Tecnologia como aliada

Zacariotti defende que a tecnologia não deve ser "vilanizada" ou encarada de forma apocalíptica. O papel da academia é ajudar a decifrar esse novo universo.

“É preciso entender que são ferramentas que a gente precisa saber usar da melhor maneira possível. É não negar, mas aproveitar o potencial que elas podem ter para nos ajudar”, explica. Ela ressalta que muitos alunos chegam às faculdades sem saber como utilizar as IAs profissionalmente, o que torna o diálogo fundamental.

O império dos algoritmos e a literacia midiática

Outro ponto crucial do debate é a reconfiguração do ecossistema da comunicação. Atualmente, os grandes impérios midiáticos não são mais os veículos tradicionais, mas sim as big techs (gigantes da tecnologia).

“Se antes a gente falava de impérios midiáticos, agora lidamos com forças um pouco mais ocultas porque a gente está lidando com algoritmos”, argumenta a professora.

Neste cenário "plataformizado", onde cada indivíduo é um gerador de dados, o jornalista precisa ser formado com consciência cidadã para fazer a diferença. Isso inclui investir na chamada educação midiática, explicando ao público como a informação é processada e ajudando a diferenciar o trabalho jornalístico profissional da atuação de influenciadores digitais.

O valor do encontro presencial

Por fim, a presidente da Abej defendeu a importância do modelo presencial tanto no ensino quanto no mercado de trabalho. “O jornalismo é uma atividade coletiva, que exige a troca. É sempre muito difícil imaginar como fazer isso totalmente online”.

A pesquisadora alertou que o esvaziamento das redações — impulsionado pelo trabalho virtual e por condições precarizadas — afeta negativamente o perfil do jornalista, distanciando-o do trabalho de rua e do rico debate coletivo no ambiente de trabalho.



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