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Demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla e atinge mais da metade dos pacientes no Brasil, alerta ABEM

Por Redação TV SDB
29/08/2026 - Atualizado às 00:56


Imagem: NeuroGraphix Studio/ AdobeStock

Um estudo conduzido pela HSR Health em parceria com a Roche Farma e divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) revelou que pacientes brasileiros demoram, em média, três anos e passam por até quatro médicos para obter a confirmação da doença. A pesquisa, realizada com 368 pessoas durante o Agosto Laranja (mês de conscientização sobre a enfermidade), aponta que a lentidão diagnóstica e as falhas iniciais de avaliação aceleram a progressão de incapacidades neurológicas irreversíveis.


Gargalos no diagnóstico e tempo de espera


  • Diagnósticos equivocados: Cerca de 56,8% dos entrevistados receberam laudos clínicos incorretos antes da confirmação da esclerose múltipla.

  • Longa espera: Mais de um quarto dos pacientes (26,6%) aguardou mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo, enquanto 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e o início do acompanhamento adequado.

  • Principais barreiras: O levantamento indicou que as maiores dificuldades enfrentadas envolvem a conduta de médicos e profissionais de saúde (36%), a realização de exames complexos de alto custo como ressonâncias magnéticas (23%), a demora burocrática do processo (18%) e os custos financeiros diretos de acesso (12%).


Características clínicas e perfil da doença

  • População atingida: Estima-se que 40 mil brasileiros convivam com a condição, que afeta predominantemente mulheres jovens entre 20 e 40 anos, configurando a principal causa neurológica não traumática de incapacidade na população jovem.

  • Mecanismo autoimune: Trata-se de uma doença inflamatória e crônica em que o sistema imunológico ataca a bainha de mielina (camada que protege os nervos), comprometendo a comunicação entre o cérebro e o corpo e afetando a mobilidade, a visão e a cognição.

  • Sintomas mascarados: O diagnóstico precoce é dificultado pela natureza intermitente e inespecífica dos sintomas iniciais (formigamentos, fadiga, dormência e visão turva), que frequentemente desaparecem de forma espontânea ou são confundidos com estresse, ansiedade ou problemas ortopédicos.


Evolução terapêutica e entraves no tratamento


  • Controle da progressão: Apesar de não ter cura, os tratamentos atuais permitiram que 48% dos pacientes entrevistados estejam clinicamente estáveis ou em remissão, com 39% mantendo atividade econômica regular e evitando sequelas graves que exigiam cadeira de rodas em fases mais precoces.

  • Interrupções no tratamento: Cerca de 41,2% dos pacientes relataram cancelamentos ou remarcações de procedimentos terapêuticos por obstáculos como entraves burocráticos de planos de saúde ou desabastecimento de medicamentos no sistema público e privado.


Impactos socioeconômicos e saúde mental


  • Prejuízos profissionais: Cerca de 72,8% relataram perdas de renda ou barreiras para o avanço na carreira, enquanto 32,6% omitiram a condição de saúde no trabalho por receio de demissão ou estigma. Além disso, 85,6% arcam com custos extras mensais gerados pela enfermidade.

  • Restrições sociais e suporte psicológico: O levantamento apontou que 73,4% deixaram de realizar atividades rotineiras por abalo emocional e 41,6% evitam eventos sociais, reforçando a necessidade de acolhimento multidisciplinar e suporte especializado para lidar com quadros de ansiedade e depressão decorrentes da doença crônica.



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