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Especialistas propõem modelo de "bacia-esponja" como estratégia integrada contra inundações

Por Redação TV SDB
27/08/2026 - Atualizado às 12:03


Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Diante do aumento na frequência e intensidade de extremos climáticos impulsionados pelo aquecimento global, especialistas em conservação defendem a transição do planejamento urbano convencional para o modelo de "bacia-esponja". A proposta expande o conceito de "cidade-esponja" — difundido nos anos 2000 pelo arquiteto chinês Yu Kongjian — para a totalidade da bacia hidrográfica, utilizando Soluções baseadas na Natureza (SbN) para absorver, desacelerar e reter a água da chuva ao longo de todo o curso hídrico.

Gestão hidrológica integral e proteção de nascentes


  • Bacia como unidade de planejamento: A paisagista urbana Cecília Herzog, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), destaca que os fluxos d'água não respeitam limites político-administrativos, exigindo intervenções contínuas da cabeceira até a foz e nas áreas adjacentes.

  • Retardamento do fluxo hídrico: Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, aponta que o volume causador de alagamentos urbanos geralmente se acumula ao longo da bacia antes de atingir as cidades; desacelerar esse escoamento na calha dos rios é mais eficiente do que focar apenas em obras pontuais de contenção urbana.

  • Preservação e reflorestamento: As intervenções prioritárias incluem a proteção das nascentes nas cotas mais elevadas e a recomposição florestal das matas ciliares para restabelecer a permeabilidade do solo e a conectividade ecológica.


Infraestrutura verde e adaptação territorial


  • Complementaridade urbana: O manejo na bacia não substitui obras nas cidades, onde se faz necessária a criação de infraestruturas como jardins de chuva, praças úmidas e parques lineares urbanos para armazenar temporariamente a água e permitir seu retorno gradual ao fluxo natural.

  • Customização regional: Embora o modelo apresente resultados positivos internacionalmente, as especialistas reforçam que as intervenções não devem ser cópias genéricas de projetos externos, mas cocriadas com base no conhecimento local e nas especificidades geomorfológicas de cada região.



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