A intensificação de secas severas, a desertificação e os invernos rigorosos — fenômeno extremo conhecido localmente como dzud — colocam em risco a sobrevivência dos povos pastoris e a sustentabilidade das estepes na Mongólia. A crise ecológica atinge diretamente cerca de 700 mil pastores nômades e seminômades (30% da população do país), em um momento em que a capital Ulaanbaatar sedia a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17).
Impactos climáticos e extensão da degradação
Desertificação generalizada: Dados da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) indicam que entre 70% e 76% do território mongol sofre com a desertificação e perda de nutrientes do solo, totalizando cerca de 36 milhões de hectares degradados.
Perdas de rebanhos em invernos severos: Episódios recentes de dzud dizimaram milhões de animais em todo o país; em 2010 e 2020, famílias de pastores registraram a perda de até 50% de seus animais devido ao frio extremo e à escassez de forragem.
Pressão sobre o ecossistema: O crescimento do rebanho nacional, que atingiu cerca de 58 milhões de cabeças em 2025 (já tendo superado 71 milhões no passado), intensificou a sobrecarga nas pastagens sem limites formais de uso.
Estratégias de adaptação e rotação de pastagens
Descanso do solo: Famílias de criadores, como a de Batchuluun Maamun (57 anos), na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, adotaram a rotação de áreas, deixando porções de terra sem uso por até dois anos para viabilizar a regeneração natural da vegetação.
Aproveitamento e produtividade: Para reduzir a quantidade total de cabeças sem perder renda, comunidades têm priorizado a agregação de valor na produção de leite, carne e lã, reduzindo a pressão do sobrepastoreio.
Transição energética integrada: O cotidiano nômade combina conhecimentos ancestrais com o uso de energia solar para refrigeração e esterco seco como combustível de aquecimento no inverno, substituindo fontes fósseis.
Expectativas na COP17 e continuidade geracional
Debate multilateral: Lideranças tradicionais defendem que as negociações da COP17 estabeleçam compromissos firmes contra o sobrepastoreio e a seca, além de programas educativos de preservação para as novas gerações.
Preservação da tradição: Famílias pastoris buscam incentivar o interesse dos jovens pelo nomadismo, equilibrando modernização tecnológica, respeito aos ciclos ecológicos e sustentabilidade frente à exploração puramente comercial da terra.
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