Governo avalia que a nova geração desconhece as políticas públicas implementadas pelo petista no passado, o que enfraquece a tese de campanha baseada na polarização com Bolsonaro.
De olho nas próximas eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido aconselhado por aliados a mudar o tom de seus discursos e entrevistas. A nova estratégia envolve um movimento de resgate: o presidente passará a rememorar com mais frequência a sua biografia e as realizações de seus mandatos anteriores à frente do Palácio do Planalto.
A mudança de rota tem um alvo específico: o eleitorado jovem.
O diagnóstico do governo
Avaliações internas do governo federal apontaram um afastamento significativo dessa parcela do eleitorado em relação ao atual presidente. O diagnóstico central é que os eleitores mais novos simplesmente não se recordam das políticas públicas implementadas pelas gestões petistas no passado.
A leitura do cenário é clara: grande parte dos jovens que hoje votam, ou votarão em breve, sequer era nascida quando Lula chegou à presidência pela primeira vez, em 2003, ou era muito criança durante os anos de maior popularidade do seu governo.
Desafio para a reeleição
Esse desconhecimento histórico gera um obstáculo para a narrativa política atual. Até então, a estratégia do presidente consistia em fazer uma campanha eleitoral fortemente baseada na comparação direta entre o seu modelo de governo e o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No entanto, sem a memória afetiva e prática das realizações petistas anteriores, essa polarização perde força entre a juventude, obrigando o Planalto a apresentar Lula não apenas como um contraponto ao bolsonarismo, mas a reapresentar quem ele é e o que já fez pelo país.
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