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Eleitorado quilombola quase dobra nas eleições de 2026 e ultrapassa 188 mil votantes no país

Por Redação TV SDB
24/08/2026 - Atualizado às 14:20


Imagem: Acervo da família

O número de eleitores autodeclarados quilombolas no Brasil registrou um salto expressivo para o pleito geral de 2026, passando de 95.409 nas eleições municipais de 2024 para 188.371 pessoas, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O crescimento decorre da ampliação da visibilidade das comunidades tradicionais, do avanço no letramento político e da mobilização de jovens em torno da defesa de direitos territoriais.

Dados eleitorais e concentração geográfica

  • Predomínio no Nordeste: A região concentra mais da metade de todos os eleitores quilombolas do Brasil, subindo de 51.633 cadastrados em 2024 para 95.901 em 2026.

  • Avanço nos estados: O crescimento foi verificado em diferentes unidades da federação; em Goiás, por exemplo, o eleitorado quilombola saltou de 3.625 para 5.394 votantes aptos.

Participação jovem e mobilização comunitária

  • Primeiro voto: O alistamento facultativo a partir dos 16 anos impulsionou o contingente nas urnas, exemplificado pela estudante Thauany Silva (16 anos), da comunidade Antinha de Baixo (GO), que votará pela primeira vez ao lado do avô, Joaquim Moreira (87 anos).

  • Conhecimento técnico em defesa territorial: Universitários das comunidades atuam diretamente na conscientização local, a exemplo de Franciele Silva (27 anos), estudante de Direito da UFBA e moradora do Quilombo Rio dos Macacos (Simões Filho/BA), que leva orientações jurídicas para fortalecer as reivindicações de posse da terra.

Titulação de terras, segurança e combate à desinformação

  • Agenda da Conaq: Pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Bia Nunes aponta que o voto consciente é a principal ferramenta para pressionar o poder público pelo avanço na titulação definitiva dos territórios e pelo reconhecimento do papel das comunidades na preservação da biodiversidade.

  • Proteção a lideranças: A entidade defende campanhas estatais contínuas de incentivo à cidadania quilombola e reforço na segurança de candidatos e ativistas que enfrentam ameaças em regiões de vulnerabilidade e conflito fundiário.

  • Resistência à desinformação: Projetos locais de educação e letramento financeiro têm auxiliado jovens e adultos de comunidades como a do Quilombo Mesquita (GO) a identificar fraudes, combater fake news eleitorais e qualificar as demandas por investimentos públicos em infraestrutura e serviços essenciais.



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