O número de eleitores autodeclarados quilombolas no Brasil registrou um salto expressivo para o pleito geral de 2026, passando de 95.409 nas eleições municipais de 2024 para 188.371 pessoas, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O crescimento decorre da ampliação da visibilidade das comunidades tradicionais, do avanço no letramento político e da mobilização de jovens em torno da defesa de direitos territoriais.
Dados eleitorais e concentração geográfica
Predomínio no Nordeste: A região concentra mais da metade de todos os eleitores quilombolas do Brasil, subindo de 51.633 cadastrados em 2024 para 95.901 em 2026.
Avanço nos estados: O crescimento foi verificado em diferentes unidades da federação; em Goiás, por exemplo, o eleitorado quilombola saltou de 3.625 para 5.394 votantes aptos.
Participação jovem e mobilização comunitária
Primeiro voto: O alistamento facultativo a partir dos 16 anos impulsionou o contingente nas urnas, exemplificado pela estudante Thauany Silva (16 anos), da comunidade Antinha de Baixo (GO), que votará pela primeira vez ao lado do avô, Joaquim Moreira (87 anos).
Conhecimento técnico em defesa territorial: Universitários das comunidades atuam diretamente na conscientização local, a exemplo de Franciele Silva (27 anos), estudante de Direito da UFBA e moradora do Quilombo Rio dos Macacos (Simões Filho/BA), que leva orientações jurídicas para fortalecer as reivindicações de posse da terra.
Titulação de terras, segurança e combate à desinformação
Agenda da Conaq: Pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Bia Nunes aponta que o voto consciente é a principal ferramenta para pressionar o poder público pelo avanço na titulação definitiva dos territórios e pelo reconhecimento do papel das comunidades na preservação da biodiversidade.
Proteção a lideranças: A entidade defende campanhas estatais contínuas de incentivo à cidadania quilombola e reforço na segurança de candidatos e ativistas que enfrentam ameaças em regiões de vulnerabilidade e conflito fundiário.
Resistência à desinformação: Projetos locais de educação e letramento financeiro têm auxiliado jovens e adultos de comunidades como a do Quilombo Mesquita (GO) a identificar fraudes, combater fake news eleitorais e qualificar as demandas por investimentos públicos em infraestrutura e serviços essenciais.
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