Celebrado nesta quarta-feira (19), o Dia Nacional do Orgulho Lésbico marca a mobilização contra a lesbofobia e a reivindicação por avanços sociais e econômicos. Dados do LesboCenso Nacional apontam que quase 80% das mulheres lésbicas enfrentam episódios recorrentes de violência no cotidiano, com destaque para a discriminação, o assédio moral e o assédio sexual.
Em entrevista sobre o cenário atual, a assistente social e coordenadora política da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), Michele Seixas, destacou os principais obstáculos enfrentados pelo segmento em áreas essenciais como saúde, assistência e emprego.
Desafios na saúde e direitos reprodutivos
Atendimento no SUS: A categoria defende a capacitação contínua de profissionais de saúde para superar preconceitos e atender às particularidades do corpo lésbico.
Preenchimento de prontuários: O movimento reivindica a inclusão obrigatória do campo de orientação sexual na anamnese clínica, a exemplo do que já ocorre com o quesito raça/cor.
Planejamento familiar: Aponta-se a carência de suporte nos serviços públicos para procedimentos de reprodução assistida e dupla maternidade, limitando a formação familiar majoritariamente a quem possui maior poder aquisitivo.
Assistência social: Há cobrança pelo reconhecimento formal e inclusão de núcleos familiares lésbico-afetivos nos cadastros da Política Nacional de Assistência Social (PNAS).
Mercado de trabalho e invisibilidade estatística
Barreiras profissionais: Lésbicas que não se enquadram em padrões tradicionais de feminilidade (frequentemente chamadas de desfems) enfrentam maiores índices de exclusão e desemprego, situação agravada quando associada ao racismo contra mulheres negras.
Apagão de dados governamentais: O país ainda não produz levantamentos estatísticos oficiais consolidados sobre violências contra mulheres lésbicas. O mapeamento desse cenário depende de pesquisas independentes, como o Dossiê do Lesbocídio e o próprio LesboCenso, cuja segunda edição está em andamento.
Canais de apoio e denúncia
Violações de direitos humanos contra a população LGBTQIAPN+ podem ser informadas gratuitamente pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos), canal do governo federal disponível 24 horas por dia. Em casos de emergência ou risco iminente, a recomendação é contatar a Polícia Militar pelo telefone 190.
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