A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lançou uma edição comemorativa do Boletim da ABI para resgatar a memória dos 50 anos do ataque a bomba perpetrado contra seu prédio-sede, no centro do Rio de Janeiro. Ocupando posição de vanguarda na defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa durante o regime militar, a entidade relembra o episódio como parte da resistência democrática contra a censura e a repressão.
Local e destruição: O artefato explosivo foi detonado no 7º andar do histórico edifício de 13 andares na Rua Araújo Porto Alegre, destruindo dois banheiros próximos ao gabinete da presidência e avariando salas vizinhas e elevadores em outros pavimentos. Não houve vítimas feridas.
Autoria assumida: O atentado foi reivindicado pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), organização paramilitar de extrema-direita que deixou panfletos no local acusando a instituição de alinhamento ao comunismo e classificando a explosão como uma "primeira advertência".
Lideranças da época: Na ocasião, a ABI era presidida pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho e contava em seus quadros com nomes como Alberto Dines, Maurício Azêdo, Marcelo Beraba e Odylo Costa Filho.
Organizada pelo conselheiro Geraldo Cantarino, a publicação especial reúne fotos da época e documentos históricos desclassificados:
Relatórios do SNI: A edição traz informes confidenciais do Serviço Nacional de Informações (setembro de 1976), obtidos por meio do projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.
Aparato repressivo: Os relatórios revelam a profundidade do monitoramento estatal sobre as movimentações, assembleias e rotinas internas da associação.
O presidente atual da ABI, Octávio Costa, destacou que o ataque integrou uma ofensiva orquestrada de grupos radicais para sabotar a abertura política ("lenta, gradual e segura") iniciada pelo governo Geisel:
Ataque à OAB-RJ: No mesmo dia, uma bomba foi instalada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, mas não detonou por falha mecânica;
Outros alvos: Em 20 de agosto, a 1ª Auditoria Militar de Porto Alegre foi alvo de coquetéis molotov; em 4 de setembro, uma bomba atingiu o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo;
Impunidade: Entre agosto e novembro de 1976, o Rio de Janeiro registrou nove atentados terroristas (oito reivindicados pela AAB), sem que nenhum responsável fosse identificado ou punido pelos órgãos de segurança do regime.
Na próxima quarta-feira (19), às 17h, a ABI realizará uma cerimônia no 7º andar de sua sede:
Será instalada uma placa comemorativa em repúdio ao terrorismo de Estado e em exaltação à democracia;
O evento reforçará o compromisso contínuo da entidade na vigilância e salvaguarda do Estado Democrático de Direito.
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