A mera entrega de dispositivos tecnológicos a professores e alunos não é suficiente: o avanço da internet e da inteligência artificial (IA) na educação exige o desenvolvimento do pensamento crítico. O alerta foi feito pela educadora Daniela Costa, consultora da Unesco no Brasil e coordenadora da pesquisa TIC Educação do Cetic.br, durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, realizado pela Firjan no Rio de Janeiro.
A especialista pontuou os contrastes entre as oportunidades geradas pelas tecnologias e os prejuízos do uso sem mediação pedagógica:
Exemplo positivo internacional: Na China, a transmissão de videoaulas qualificadas para 100 milhões de estudantes da zona rural elevou o desempenho escolar em 32% e reduziu a disparidade salarial entre áreas urbanas e rurais em 38%.
Queda de atenção: Em contrapartida, estudos em 14 países demonstram que a simples presença do smartphone por perto prejudica a concentração e o aprendizado.
Restrições no ambiente escolar: Respaldadas pela Lei Federal 15.100/2025 — que veda o uso de aparelhos durante aulas e intervalos —, 51% das escolas brasileiras proíbem a entrada de celulares, taxa que diminui para 31% no ensino médio, onde predominam exigências de guardar os aparelhos em locais específicos.
O levantamento do Cetic.br revelou uma transformação na forma como os estudantes do ensino médio buscam conteúdo escolar, priorizando recursos audiovisuais em vez de textos:
Plataformas de vídeo (YouTube, TikTok): 89% da preferência dos alunos;
Mecanismos de busca (Google): 88%;
Páginas informativas (Wikipédia, blogs): 72%;
Sistemas de Inteligência Artificial: 70%;
Livros digitais: 65%.
Falta de orientação crítica: Apesar do uso expressivo de IA por 70% dos alunos, apenas um terço dos estudantes brasileiros relatou ter recebido orientações formais sobre as limitações e os erros comuns dessas ferramentas.
Embora os alunos vejam os professores como guias fundamentais para o uso digital (o percentual de estudantes orientados por docentes subiu de 44% em 2022 para 56% em 2024), a qualificação profissional perdeu fôlego após o fim das restrições da pandemia:
Queda na formação docente: A fatia de professores com capacitação continuada voltada a tecnologias educacionais recuou de 65% em 2021 para 54% em 2024.
Valorização do corpo docente: A consultora ressaltou que a construção de uma educação integral depende diretamente do apoio da sociedade e de investimentos contínuos na formação dos educadores.
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