O governo federal formalizou a abertura de um procedimento para analisar a aplicação de contramedidas comerciais contra os Estados Unidos, com base na Lei nº 15.122 (Lei da Reciprocidade Econômica). O movimento ocorre em reação às sobretaxas unilaterais aplicadas por Washington sobre produtos de exportação brasileiros.
Trâmite oficial: A iniciativa partiu da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e é acompanhada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), que notificará o governo norte-americano para a abertura de consultas bilaterais.
Foco na negociação: O Palácio do Planalto frisou que o processo não impõe tarifas imediatas, mas inicia uma avaliação jurídica e econômica para definir se retaliações serão necessárias caso o diálogo diplomático não surta efeito.
As sanções aplicadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afetam aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras:
Sobretaxa de 25%: Atinge itens como ferro, aço, calçados, vestuário, etanol, açúcar, medicamentos e máquinas agrícolas.
Taxa extra de 12,5%: Imposta sob alegações de fragilidade nos mecanismos brasileiros de combate ao trabalho escravo em cadeias produtivas.
Sancionada para proteger a competitividade da indústria nacional diante de medidas arbitrárias de outros países, a legislação permite ao Brasil:
Instituir tributos e taxas de importação compensatórias;
Revogar isenções e descontos tarifários vigentes;
Limitar a entrada de bens e serviços estrangeiros;
Aplicar respostas em proporção equivalente ao prejuízo financeiro sofrido pelo país.
Contencioso internacional: Paralelamente, o Brasil questionou as taxas no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmando que a medida viola as normas multilaterais.
Balança comercial favorável aos EUA: O Planalto reforçou que os Estados Unidos mantêm superávit na relação com o Brasil (vendem mais do que compram), tornando as barreiras injustificadas.
Apoio aos setores atingidos: Para amenizar os efeitos econômicos e proteger os postos de trabalho, o Executivo anunciou suporte às cadeias afetadas por meio das diretrizes do Plano Brasil Soberano.
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