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Relatório do Cimi aponta alta na violência e registra 258 indígenas assassinados em 2025

Por Redação TV SDB
14/08/2026 - Atualizado às 16:14


Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O levantamento anual “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), revelou um agravamento no cenário de violência enfrentado pelas comunidades tradicionais. Em 2025, foram contabilizados 258 assassinatos, superando as 211 ocorrências registradas em 2024.

Os estados com maiores índices de homicídios foram:

  • Roraima: 82 mortes;

  • Amazonas: 47 mortes;

  • Mato Grosso do Sul: 37 mortes.

Conflitos territoriais e o impasse do Marco Temporal

O estudo associa o avanço da violência aos confrontos por posse de terra e à indefinição jurídica provocada pela Lei 14.701/2023 (Marco Temporal), pendente de julgamento definitivo no Supremo Tribunal Federal (STF). Além da tese restritiva, pesam pressões do garimpo ilegal, agronegócio e obras de infraestrutura.

O relatório destaca episódios graves ocorridos em áreas com processos demarcatórios paralisados há mais de uma década:

  • Paraná (TI Tekoha Guasu Guavirá): Ataque armado feriu quatro indígenas Avá-Guarani, deixando um deles paraplégico;

  • Bahia (TI Barra Velha do Monte Pascoal): Assassinato do líder Pataxó Vitor Braz em contexto de disputa fundiária;

  • Mato Grosso do Sul (TI Iguatemipegua I): Homicídio do Guarani Kaiowá Vicente Fernandes durante conflito territorial.

Ameaças ao patrimônio e regularização fundiária

Foram documentados 1.276 casos de violência patrimonial, abrangendo invasões ilegais, exploração predatória de recursos e morosidade estatal:

  • Situação das terras: Das 1.443 reivindicações indígenas no país, 897 têm pendências administrativas e 582 sequer tiveram o processo iniciado.

  • Avanços oficiais no período: A Funai e o Ministério da Justiça publicaram 9 relatórios de identificação, 10 portarias declaratórias, homologaram 7 territórios e registraram 5 como patrimônio da União — saldo considerado insuficiente diante da demanda reprimida.

Omissão pública: crise sanitária, mortes infantis e suicídios

A negligência estatal manifestou-se com gravidade na área da saúde e nas condições básicas de subsistência:

  • Mortalidade infantil: 1.024 crianças indígenas de até 4 anos faleceram em 2025 (frente a 922 no ano anterior), principalmente no Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123). Mais da metade (57%) morreu por causas evitáveis, como pneumonia, desnutrição e infecções intestinais.

  • Suicídios: Foram 215 registros, com forte concentração entre jovens — 41% tinham entre 20 e 29 anos e 34% tinham até 19 anos.

  • Desassistência geral: Falta de saneamento básico, contaminação hídrica por mercúrio e agrotóxicos e ausência de equipes médicas agravaram a vulnerabilidade, cenário crítico sobretudo para famílias acampadas à beira de rodovias no Rio Grande do Sul.

Vulnerabilidade de povos isolados

A equipe técnica do Cimi monitora 119 registros de povos indígenas isolados, dos quais apenas 28 têm confirmação oficial da Funai. O documento alerta para o risco iminente enfrentado por esses grupos, identificando invasões e degradação ambiental em ao menos 20 terras onde há presença de comunidades em isolamento voluntário.



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