09/08/2026
- Atualizado às
14:57
Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Centro Municipal de Artes Hélio Oticica, no centro do Rio de Janeiro, recebe até o dia 30 de agosto a exposição fotográfica Não Somos Mula, do premiado fotógrafo Rogério Reis. A mostra reúne cerca de 120 imagens — a maioria inédita entre impressões e projeções — que retratam a capacidade de invenção e a rotina de trabalho dos vendedores ambulantes que atuam na orla carioca.
Conceito Artístico e "Sistematização Poética"
Significado do título: A expressão "mula" faz referência ao esforço físico e ao peso carregado diariamente pelos trabalhadores das areias (como os vendedores de mate com seus galões), ao mesmo tempo em que reforça a autonomia da categoria de trabalhar por conta própria, sem subordinar-se a patrões.
Estruturas como esculturas: Em vez de focar apenas no aspecto funcional, o fotógrafo direciona o olhar para as soluções improvisadas — arranjos de caixas térmicas, guarda-sóis, carrinhos e suportes —, transformando a "gambiarra" do cotidiano em artefatos plásticos semelhantes a instalações e esculturas.
Mapeamento geográfico: Cerca de 80% das fotografias foram registradas na praia de Copacabana, ponto de maior concentração da atividade, e os 20% restantes cobrem as areias do Arpoador, Ipanema e Leblon.
Tensão Urbana: Programa "Tolerância Zero" e Ação do MPF
Contexto de protestos: A exibição chega ao público no momento em que o Movimento Unido dos Camelôs (Muca) realiza atos contra o Programa Tolerância Zero, ação de ordenamento da Prefeitura do Rio que intensificou a fiscalização contra trabalhadores não credenciados na orla.
Questionamento judicial: O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública solicitando a suspensão imediata do programa, alegando falta de participação popular, ausência de diálogo com a União e falta de alternativas de regularização para as famílias que dependem do comércio praiano.
Defesa da categoria: O fotógrafo e representantes do setor defendem a criação de projetos socioeducativos de qualificação em vez de políticas puramente repressivas, além de alertarem sobre o receio dos trabalhadores de uma eventual corporativização ou privatização do espaço público das praias.